AFP PHOTO / DOMINIQUE FAGET
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Michigan e Alabama rejeitam receber refugiados sírios após atentados em Paris

Governadores de ambos os Estados optaram pela medida como uma forma de tentar evitar ataques; 52% dos americanos creem que entrada de sírios nos EUA tornam país menos seguro

O Estado de S. Paulo

16 de novembro de 2015 | 11h52

(Atualizada às 17 horas) DETROIT, MICHIGAN - Os Estados americanos de Michigan e Alabama anunciaram no domingo que estão rejeitando receber refugiados sírios com a intenção de evitar atentados similares aos ocorridos na sexta-feira em Paris, que deixaram 129 mortos e 352 feridos.

Uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgadas nesta segunda-feira indicou que 52% dos americanos acreditam que a entrada de refugiados sírios nos EUA torna o país menos seguro. A sondagem, realizada no fim de semana, também mostrou que a maioria dos americanos quer que os EUA intensifiquem o combate contra o Estado Islâmico, mas rejeita o envio de forças terretres à Síria e ao Iraque. 

O governador de Michigan, Rick Snyder, que contrariou muitos líderes do Partido Republicano ao aceitar receber os imigrantes, agora se esforça para conter esse fluxo.

Snyder disse no domingo que Michigan está adiando os esforços para aceitar refugiados até que oficiais federais avaliem por completo os procedimentos de segurança. Ele ainda acrescentou que o Estado “tem orgulho de sua rica história de imigração”, mas que “a prioridade é proteger a segurança dos habitantes”.

“Haverá dias difíceis pela frente para as pessoas na França e elas permanecem em nossos pensamentos e orações”, disse. “Também é importante lembrar que esses ataques são os esforços de extremistas e não refletem as atitudes pacíficas das pessoas com ascendência do Oriente Médio aqui e no mundo.”

O porta-voz de Snyder, Dave Murray, afirmou que o governador não estava disponível para comentários.

O governador de Alabama, o republicano Robert Bentley, anunciou no domingo que também rejeitará os imigrantes vindos da Síria. “Depois de analisar os ataques terroristas contra cidadãos inocentes em Paris, vou me opor a qualquer tentativa de tentar trazer os refugiados sírios para Alabama por meio do Programa de Admissões de Refugiados dos EUA”, destacou Bentley em um comunicado.

“Como seu governador, não serei cúmplice de uma política que causa danos aos cidadãos da Alabama.” Segundo o governo, o Estado conta atualmente com um centro para refugiados aprovado pelo Departamento de Estado. 

Para Bentley, os atentados em Paris são “um aviso trágico ao mundo de que o mal existe e assume a forma de terroristas que buscam destruir as liberdades básicas pelas quais sempre lutaremos”. Ele também acrescentou que não permitirá “o risco possível” de um atentado em Alabama.

O comunicado foi divulgado após um assessor do presidente dos Estados Unidos, o democrata Barack Obama, garantir que o governo planeja acolher 10 mil refugiados sírios no país em 2016.

“Ainda estamos planejando aceitar os refugiados sírios”, disse o assessor adjunto do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, Ben Rhodes, em declarações ao canal Fox News. Rhodes ressaltou que os Estados Unidos dispõem de “procedimentos de vigilância muito rigorosos para esses refugiados”.

Pré-candidatos. Vários pré-candidatos republicanos têm criticado a gestão Obama por seus planos de aceitar 10 mil refugiados sírios. O magnata Donald Trump disse que os Estados Unidos deveriam ser mais agressivos contra o Estado Islâmico diante dos ataques em Paris.

O senador e pré-candidato Marco Rubio também se manifestou contra a aceitação de imigrantes. “Não podemos mais acolher refugiados. Não é que não queremos, é que não podemos, porque não existe uma forma de comprovar os antecedentes de alguém que vem da Síria.”

O ex-neurocirurgião Ben Carson afirmou que “trazer para este país gente dessa área do mundo é um erro enorme”. /EFE e ASSOCIATED PRESS

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