Bloomberg photo by Mark Kauzlarich
Bloomberg photo by Mark Kauzlarich

Microsoft tira do ar sites criados por hackers russos para interferir em eleição americana

Segundo a empresa, o Fancy Bear, grupo que invadiu e-mails de Hillary Clinton e do Partido Democrata, administrava páginas que se passavam por organizações conservadoras e pelo Senado americano; não há sinais que os sites obtiveram dados de usuários

O Estado de S.Paulo

21 Agosto 2018 | 03h26
Atualizado 21 Agosto 2018 | 16h35

WASHINGTON - A Microsoft anunciou nesta terça-feira, 21, que descobriu e tirou do ar seis domínios falsos criados por hackers russos para interferir nas eleições americanas de meio de mandato, que ocorrem em novembro deste ano. Segundo a organização, não há sinais que os sites conseguiram obter dados das vítimas enquanto estavam ativos.

De acordo com a Microsoft, os hackers criaram dois sites falsos para se passar por duas organizações conservadoras dos Estados Unidos: O Hudson Institute e o International Republican Institute. Outros quatro domínios foram feitos para parecer que pertenciam ao Senado americano. A empresa não forneceu mais detalhes sobre o conteúdo dos sites falsos.

O presidente e diretor jurídico da Microsoft, Brad Smith, disse que o caso foi descoberto na semana passada e os sites foram retirados do ar. Segundo ele, os domínios eram associados ao Fancy Bear, grupo de hackers acusados pelo governo americano de ingerência nas eleições presidenciais de 2016 após invadir os e-mails do Comitê Nacional Democrata e da campanha da então candidata à presidência Hillary Clinton

O procurador especial que investiga a interferência russa, Robert Muller, indiciou o Fancy Bear e afirmou que o grupo é financiado pela agência de inteligência russa conhecida como GRU. 

"Nós não temos dúvida", disse Smith ao ser questionado sobre a responsabilidade do grupo.

Há dois anos, a Microsoft ingressou com ação judicial contra o Fancy Bear alegando que o grupo utilizava marcas e serviços da empresa em sites falsos com o objetivo de invadir computadores, instalar malwares e roubar arquivos e e-mails pessoais. No ano passado, a justiça federal de Virginia concedeu autorização à empresa para retirar do ar todos os domínios falsos criados pelo grupo. Desde então, 84 sites foram derrubados pela Microsoft, incluindo os seis anunciados nesta terça-feira.

De acordo com Smith, diferente das eleições presidenciais de 2016, o ataque desta vez não tinha a intenção de favorecer um partido. "Essa atividade era fundamentalmente focado em atacar a democracia", disse. O representante da empresa assegurou que os sites não conseguiram extrair informações ou conduzir vigilância em computadores que acessaram os domínios falsos. 

Semanas atrás, outra descoberta feita pela Microsoft revelou que hackers tentaram invadir a rede do gabinete da senadora democrata Claire McCaskill, do Missouri, que tentará a reeleição em novembro. Nesta terça-feira, 21, a Microsoft anunciou que oferecerá proteção de cibersegurança a todos os candidatos, campanhas políticas e organizações que atuarão nas eleições de meio de mandato, em novembro. / AP

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.