Mídia afegã se recusa a censurar cobertura de eleições

Jornalistas afegãos rejeitaram hoje uma determinação do Ministério de Relações Exteriores para que não veiculassem informações sobre ataques ou violência no país no dia da eleição, que será realizada amanhã. Segundo os profissionais, a tentativa de cerceamento viola um direito constitucional. Temendo que a violência por parte do grupo fundamentalista Taleban prejudique o comparecimento às urnas, o ministério afirma que a determinação é necessária "para garantir a alta participação do povo afegão".

AE-AP, Agencia Estado

19 de agosto de 2009 | 13h37

O Taleban ampliou seus ataques antes das eleições. Nos últimos dias, a organização foi responsável por dois atentados contra tropas da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), lançamento de morteiros contra o palácio presidencial e um assalto a banco. O grupo militante também ameaça atacar centros de votação e eleitores.

"Nós não obedeceremos essa ordem", disse Rahimullah Samander, chefe da Associação de Jornalistas Independentes do Afeganistão. Uma porta-voz da embaixada dos Estados Unidos ressaltou os direitos do governo local, mas afirmou que uma imprensa livre "está diretamente ligada à credibilidade das eleições".

Fahim Dashti, o editor do "Kabul Weekly", um jornal publicado em inglês, qualificou a ação como "uma violação da lei de imprensa" e lembrou que a Constituição protege a liberdade de expressão. Porém, as forças de segurança podem elevar a hostilidade com o trabalho jornalístico, após ataques. Hoje, repórteres que foram tentar acompanhar um atentado a um banco em Cabul foram agredidos pela polícia, que chegou inclusive a ameaçá-los com armas.

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