Mídia chinesa vê 'agressão' ao país no Nobel da Paz a dissidente

A imprensa estatal chinesa acusou o Ocidente de "lançar uma nova rodada de agressões à China" antes da entrega oficial do Prêmio Nobel da Paz ao dissidente preso Liu Xiaobo, na sexta-feira.

SUI-LEE WEE, REUTERS

09 de dezembro de 2010 | 09h23

A China tem usado seu poderio econômico para promover um boicote à cerimônia de Oslo. A maioria dos 18 países que aderiram tem fortes ligações comerciais com a China, ou compartilha com Pequim da hostilidade contra a pressão ocidental pela situação dos direitos humanos

Liu, que cumpre pena de 11 anos de prisão por seu envolvimento em um manifesto pró-democracia, não poderá viajar para receber o prêmio, e sua esposa e outros colaboradores também foram colocados em prisão domiciliar.

"Liu faz de tudo para subverter o governo chinês, e isso convém à estratégia de algumas organizações e pessoas no Ocidente com relação à China", disse a agência estatal de notícias Xinhua num comentário em inglês, na noite de quarta-feira.

"Por isso algumas pessoas no Ocidente imediatamente abraçaram a decisão do Comitê Nobel, lançando uma nova rodada de agressões à China", disse a nota.

A China reagiu ao Nobel entregando na quinta-feira o recém-criado Prêmio Confúcio da Paz ao ex-vice-presidente taiwanês Lien Chan, embora assessores do político tenham dito desconhecer a premiação.

O popular tabloide Global Times, alinhado com o regime comunista, salientou em editorial a "confusão e as divisões mundiais" causadas pelo Nobel da Paz deste ano. "Todos os aplausos vêm do Ocidente, e os cidadãos de países do Terceiro Mundo agora são todos aliados da China."

"O Ocidente tem demonstrando grande criatividade em conspirar contra a China. Como sua ideologia continua dominante no presente, o Ocidente não cessou de assediar a China com todo tipo de truques, como o Prêmio Nobel da Paz", escreveu o Global Times.

A China afirma que a "vasta maioria" dos países atendeu ao boicote contra o Nobel, mas os organizadores do evento disseram que só nações com representação diplomática na Noruega foram convidadas, e que dois terços delas aceitaram o convite.

Dos países convidados, estarão ausentes Rússia, Cazaquistão, Colômbia, Tunísia, Arábia Saudita, Paquistão, Iraque, Irã, Vietnã, Afeganistão, Venezuela, Filipinas, Egito, Sudão, Ucrânia, Cuba e Marrocos.

Nos últimos dias, a China tem tirado do ar reportagens da BBC e CNN sobre Liu e seus seguidores, embora em geral esses canais só estejam disponíveis em hotéis de luxo e edifícios habitados por estrangeiros.

(Reportagem adicional de Huang Yan e Ben Blanchard)

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