Mídia francesa diz que Bin Laden foi tratado em Dubai

Grande informação, mas uma informação a ser conferida, a ser verificada, a ser "passada pelos raios X", pois diz respeito a Bin Laden, o homem mais procurado do planeta: o terrorista, de acordo com uma fonte próxima do hospital de Dubai, teria passado alguns dias nos Emirados Árabes Unidos, do dia 4 a 14 de julho último. E tem mais: segundo o Figaro e a Radio France Internacionale, Bin Laden, que chegou a Dubai para tratamentos intensivos, teria cruzado então, ou seja, algumas semanas antes do atentado em Nova York, com o representante local da CIA. Eis a narrativa: o chefe do Al-Qaeda teria chegado a Dubai no dia 4 de julho, acompanhado de seu médico particular, o egípcio Ayman al-Zawahri, de seguranças e de uma enfermeira argelina. Teria sido tratado de uma doença dos rins. Essa doença dos rins já foi evocada muitas vezes: em março de 2000, um jornal de Hong Kong, Asia Week, noticiou que a vida de Bin Laden estava em perigo, devido a uma grave infecção renal. Outros boatos afirmam que Bin Laden teria mandado entregar, em 2000, um equipamento móvel de diálise em seu abrigo de Kandahar. Bin Laden deixou Dubai no dia 14 de julho para voltar a Qetta. No dia seguinte, o correspondente local da CIA, que viu Bin Laden (dizem os artigos da Radio France Internacional), foi chamado de volta a Washington. Quinze dias depois, um franco-argelino (Beghal) foi preso em Dubai, interrogado, e declarou que tinha sido convocado ao Afeganistão por um militar da organização terrorista Al-Qaeda. Beghal teria recebido ordens de explodir a embaixada dos Estados Unidos em Paris. Após os interrogatórios de Beghal, informações muito preciosas sobre ataques terroristas, visando os interesses americanos no mundo, teriam sido comunicadas à CIA, inclusive sobre o território dos Estados Unidos (imagina-se que exatamente sobre os atentados em Nova York, pouco depois). Uma reunião de emergência teria sido realizada no início de setembro, na Embaixada dos Estados Unidos, em Paris. Mas, de acordo com as mesmas fontes, os americanos continuaram muito indecisos. Fundamentalmente é o que dizem os documentos apresentados pelo Figaro e pela Radio France Internacionale. Admitamos que lhes falta precisão, pelo menos no campo político estratégico. Em compensação, são abundantes os detalhes sobre a internação de Bin Laden no hospital de Dubai. Bin Laden teria ficado, no início de julho, na ala VIP, superluxuosa, do hospital de Dubai, sob os cuidados do reputado dr. Terry Callaway, especialista em cálculos renais e em infertilidade masculina. (Meu Deus! Já que Bin Laden tem uns cinqüenta irmãos e irmãs e ele mesmo tem vários filhos, se a fertilidade da família ainda é aumentada, estamos perdidos!) Como saber se esse romance é sério? A direção do hospital de Dubai é severa: "Osama bin Laden jamais foi um de nossos pacientes e jamais foi tratado aqui... Esse hospital é demasiadamente pequeno para que alguém possa entrar aqui pela porta de serviço". O professor Callaway, contatado por telefone, recusou-se a responder a qualquer pergunta. Não se pode confiar nem nas informações nem nos desmentidos: é claro que, se o hospital de Dubai tiver cuidado efetivamente desse hóspede abominável e responsável por 5 mil mortes, não vai vangloriar-se disso. Da mesma maneira, a CIA, adepta do segredo, por princípio, não vai vangloriar-se de ter encontrado Bin Laden, nas vésperas de seu crime, e de não ter compreendido nada. Ao contrário, fatalmente, a caça iniciada há dois meses contra o matador monstruoso, inapreensível e obscuro, gera um grande número de notícias falsas, mentiras, fofocas, tanto no meio dos serviços de informações (CIA, FBI etc.), como entre os jornalistas e até mesmo entre alguns médicos. Isso significa que nada de sólido pode ser dito sobre esse episódio, real ou imaginário, da epopéia Bin Laden. Portanto, é com precauções que fazemos ecoar as matérias do Figaro. Leia o especial

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