Mídia internacional comenta eleições na Ucrânia

Para o New York Times, a derrota do presidente Viktor Yushchenko, líder da chamada ?Revolução Laranja? em janeiro de 2005, foi ?impressionante?, deixando-o ?fraco e com suas políticas reformistas em questão?. O jornal observa que, quase um ano e meio após os protestos e a pressão internacional terem levado Yushchenko à Presidência, ?seu partido ficou atrás não somente do partido do homem que ele derrotou para o cargo máximo, Viktor Yanukovich, mas também do partido de sua ex-primeira-ministra, Yulia Tymoshenko?. Reportagem publicada pelo britânico Guardian observa que ?os divididos? líderes da Revolução Laranja da Ucrânia foram derrotados nas eleições parlamentares ?menos de 18 meses após as multidões triunfantes os levarem ao poder?. ?A Revolução Laranja da Ucrânia fica azul?, diz o título da reportagem do Guardian, num trocadilho com a cor do partido de Yanukovich e também possivelmente com um dos sentidos da palavra blue (azul), que pode significar tristeza em inglês. A reportagem comenta que, se as primeiras projeções estiverem corretas, o ex-presidente Yanukovich será colocado ?numa incômoda coabitação? com Yushchenko, que o derrotou em 2005 após uma primeira eleição anulada por suspeitas de fraude, no fim de 2004. Para o também britânico The Times, o triunfo da oposição na eleição de domingo ?demonstra dois fatos concretos: a Revolução Laranja que prometeu tanto ficou muito abaixo das esperanças e, qualquer que seja a composição final do Parlamento, a Ucrânia continuará rachada por disputas entre facções e por pressões externas?. O francês Le Monde, por sua vez, afirma que Yushchenko sofreu uma ?derrota humilhante?, e que as esperanças não atendidas da população com seu governo e os resultados pobres de sua política econômica ?beneficiaram o partido pró-Rússia de Viktor Yanukovich?. Para o russo Izvestiya, os ucranianos desta vez, ao contrário do que ocorreu nas eleições presidenciais, ?não votaram por esta ou por aquela ideologia, mas por nomes bem conhecidos?. ?Os programas dos partidos não eram diferentes uns dos outros. Todos os favoritos propunham se aliar à Europa e construir ?relações pragmáticas? com a Rússia?, diz o jornal. O Nezavisimaya Gazeta, de Moscou, diz que ?o processo de divórcio civilizado entre a Ucrânia e a Federação Russa parece ter terminado?. ?No tempo do presidente Leonid Kuchma, a Ucrânia se desenvolveu como um Estado que balançava entre o Oriente e o Ocidente. A chegada ao poder de Viktor Yushchenko marcou um desequilíbrio em favor do Ocidente. Além disso, para a Ucrânia esse foi um passo para o nada: a Europa não está preparada para receber a Ucrânia?, diz o diário.

Agencia Estado,

27 Março 2006 | 10h52

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