Mídia russa diz que entrega de mísseis à Síria pode demorar um ano

De acordo com jornais, Moscou ainda não enviou armamento, o que pode ocorrer apenas em 2014

O Estado de S. Paulo,

31 Maio 2013 | 12h52

MOSCOU - Meios de comunicação russos informaram nesta sexta-feira, 31, que Moscou não enviou sistemas de defesa de mísseis S-300 para o regime sírio e pode reter a entrega dos armamentos neste ano ou até mesmo indefinidamente.

Na quinta-feira, o presidente Bashar Assad deu a entender que a Rússia já havia enviado parte dos sistemas de defesa. Mas o jornal Vedomosti citou uma fonte da indústria de defesa russa dizendo não estar claro se as armas poderão ser entregues para a Síria neste ano.

O contrato foi fechado em 2010 e, segundo o diário, tem o valor de US$ 1 bilhão. No entanto, a fonte ouvida declarou que embora o governo russo afirme publicamente que o contrato será cumprido, isso não significa que as entregas acontecerão algum dia.

O jornal Kommersant afirma que a entrega está planejada para acontecer no segundo trimestre de 2014, mas acrescenta, a partir das declarações de uma fonte, que serão necessários no mínimo seis meses para o treinamento de pessoal e testes, antes que o sistema esteja plenamente em funcionamento.

A agência de notícias Interfax citou uma fonte especialista em exportação de armas dizendo que qualquer carregamento de S-300, se acontecer, não será feito "antes do outono" (no hemisfério Norte). A fonte ressaltou que, embora a entrega no outono seja teoricamente possível, "muito vai depender da situação na região e da posição dos países ocidentais na resolução do conflito sírio."

Segundo a Interfax, o envio dos sistemas pode ser colocado em espera por tempo indeterminado. A fonte citou o caso dos mísseis russos Iskander, que a Síria queria comprar anos atrás, mas que Moscou se recusou a entregar.

O sistema de defesa de mísseis russo é visto por analistas como um fator de alta importância militar para Assad no conflito contra os rebeldes, porque o equipamento poderia ser usado para evitar ataques aéreos do Ocidente e de Israel contra alvos do regime.

A reportagem do Kommersant também enfatiza o risco de um terceiro lado, como Israel, tentar destruir os S-300s assim que eles estiverem em território sírio, tendo em vista que especialistas russos estarão presentes no local para assegurar o funcionamento do sistema. / DOW JONES

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