Darrin Zammit Lupi / Reuters
Darrin Zammit Lupi / Reuters

Migração irregular na Europa caiu 85% em meio à pandemia de coronavírus

É o número mais baixo desde que a agência europeia de controle de fronteiras começou a coletar esses dados em 2009

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de maio de 2020 | 15h41

VARSÓVIA - O número de travessias ilegais nas principais rotas migratórias da Europa diminuiu 85% em abril em relação ao mês anterior, atingindo cerca de 900, anunciou a Frontex nesta terça-feira, 12. 

É o número mais baixo desde que a agência europeia de controle de fronteiras começou a coletar esses dados em 2009.

Segundo comunicado da Frontex, essa queda recorde se deve principalmente à pandemia de coronavírus, mas também a atrasos na transferência de dados pelas autoridades nacionais.

Ainda assim, o serviço de imprensa da agência informou que os atrasos mencionados não foram significativos o suficiente para alterar a tendência. 

Nos primeiros quatro meses de 2020, o número total de travessias ilegais de fronteira foi, no entanto, comparável ao ano anterior, e atingiu 26.650. 

O maior declínio no número de passagens ilegais de fronteira detectadas na Europa ocorreu em abril na rota migratória do Mediterrâneo oriental.

No mês passado, houve 40 tentativas de atravessar ilegalmente as fronteiras, ou seja, 99% a menos que em março. 

Entre janeiro e abril, foram identificadas mais de 11.200 travessias ilegais de fronteira nessa rota, 18% a menos do que no mesmo período do ano anterior. Os afegãos constituíram o maior grupo de migrantes.

No Mediterrâneo central, foram registrados cerca de 250 casos em abril, 29% a menos que em março.

Nos primeiros quatro meses do ano, o número total de travessias detectadas nessa área atingiu 4.100, três vezes mais que no mesmo período de 2019, segundo a Frontex.

Os migrantes mais numerosos vieram da Costa do Marfim, Bangladesh e Marrocos.

No Mediterrâneo ocidental, as detecções caíram 82% em relação a março. Nos primeiros quatro meses do ano, o número total ultrapassou 3 mil, representando uma queda de mais de 50% em relação ao ano anterior. Argelinos e marroquinos representaram os maiores contingentes.

Nos Balcãs Ocidentais, as passagens ilegais caíram 94% em abril em relação a março. No entanto, seu número total aumentou nos primeiros quatro meses do ano (60% a mais que no mesmo período do ano anterior) e foi de quase 6 mil.

Habitantes de povoado grego expulsam refugiados violentamente

Enquanto isso, em um povoado no norte Grécia, um hotel onde 57 solicitantes de asilo seriam instalados foi destruído por habitantes do local. 

De acordo com testemunhas, ceca de 250 habitantes queimaram e roubaram o hotel para impedir a transferência dos solicitantes de asilo. Segundo eles, entre os agressores havia militantes de extrema direita.

De acordo com testemunhas, ceca de 250 habitantes de Árnissa queimaram e roubaram o hotel para impedir a transferência dos solicitantes de asilo. Segundo eles, entre os agressores havia militantes de extrema direita.

"Foi espantoso, destruíram o hotel lançando pedras e ateando fogo", descreveu uma jovem que não quis revelar seu nome.

O hotel estava vazio no momento do ataque, mas deveria acolher um grupo de solicitantes de asilo, obrigados a abandonar o povoado para serem finalmente transferidos para um hotel em Salónica, a cerca de 110 km.

Iniciadas em janeiro, essas transferências buscam descongestionar os acampamentos em Lesbos, Quíos, Samos, Cos e Leros, com capacidade para apenas 6,2 mil pessoas e onde se amontoam 38 mil.

Dimitris Yannou, prefeito de Edessa, da qual Árnissa depende, considera que os principais autores dos incidentes em Árnissa "eram pessoas de extrema direita, conhecidas na região".

Ele ressalta que a maioria dos habitantes de seu povoado são, eles próprios, "refugiados" de origem grega, vindos da vizinha Turquia. "Os refugiados expulsam os refugiados, é incrível", lamentou o prefeito.

Com a exceção de três centros no continente, os acampamentos das ilhas, até o momento, livraram-se da pandemia, mas os testes sistemáticos de detecção dos migrantes não haviam começado até a semana passada.

Yannou lamentou a decisão do governo de retomar as transferências à Grécia continental, no momento em que "as medidas (de confinamento) acabam de ser suspensas". / AFP 

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