Eric Thayer/Reuters
Eric Thayer/Reuters

Migrantes ilegais voltando ao México superam o que vão aos EUA, diz estudo

Situação da economia americana e clima hostil a imigrantes são motivos para inversão do fluxo

BBC Brasil, BBC

09 de março de 2012 | 17h48

WASHINGTON - Pela primeira vez em 40 anos, existem mais mexicanos em condição de ilegalidade deixando os Estados Unidos e voltando ao México do que fazendo o caminho contrário, rumo ao vizinho mais desenvolvido.

Segundo dados do instituto Pew Hispanic Center, em 2010, menos de 100 mil mexicanos cruzaram ilegalmente a fronteira para os EUA ou violaram as condições de seus vistos para se estabelecer no país. Já o número de imigrantes mexicanos em condição de ilegalidade nos EUA caiu de 7 milhões em 2007 para 6 milhões em 2011, de acordo com a entidade.

O instituto afirma que muitos foram deportados, enquanto outros não encontram emprego. Já um número grande de mexicanos estaria fugindo da atmosfera hostil aos estrangeiros que existe em algumas regiões dos EUA.

O grupo de estudos calcula que 4 milhões de mexicanos em condição de ilegalidade voltaram do país vizinho desde 2007. Os dados foram apresentados pelo pesquisador do Centro Pew Jeffrey Passel, que disse que ocorreu uma "inversão" do fluxo migratório mexicano.

Além do medo da deportação, outros fatores podem estar influenciando a mudança do fluxo. Em 2001, o setor americano da construção, que emprega muitos mexicanos, passou por graves problemas econômicos.

"As condições econômicas e sociais e de pressão política nos EUA são tão fortes que o incentivo para a volta é alto", diz o especialista em imigração René Zenteno.

Crise nos EUA

A crise de 2008 teve impacto profundo nos empregadores que usavam imigrantes em condição de ilegalidade. Logo depois, muitos Estados aprovaram leis que endureciam as restrições para os estrangeiros que não tinham os documentos em dia. A leve melhora na situação econômica mexicana é outro fator apontado.

Não está clara a influência do endurecimento da política migratória na redução do fluxo. "Não sabemos se é a economia ou o aumento da vigilância. Suspeito que as duas coisas", diz Passel.

O auge da migração mexicana aos EUA foi em meados da década de 1990, quando anualmente cerca de meio milhão de pessoas deixava o país.

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