Juan Manuel Blanco/EFE
Juan Manuel Blanco/EFE

Migrantes iniciam greve de fome no México para exigir trânsito livre aos EUA

Milhares de haitianos e centro-americanos seguem para o norte mesmo após dissipação de várias caravanas na semana passada

Redação, O Estado de S.Paulo

13 de setembro de 2021 | 22h30

TAPACHULA, México - Migrantes bloqueados no México e ativistas que defendem seus direitos iniciaram nesta segunda-feira, 13, uma greve de fome na fronteira sul para exigir que as autoridades mexicanas lhes permitam transitar livremente para os Estados Unidos, informaram organizações privadas.

O protesto acontece na cidade mexicana de Tapachula, localizada na fronteira com a Guatemala, e busca que se autorizem milhares de haitianos e centro-americanos a continuarem sua jornada rumo ao norte, após a dissipação de várias caravanas na semana passada.

“O jejum é para mudar a situação da comunidade migrante, mudar a violência, para que Deus toque o coração das pessoas da migração", disse Irineo Mujica, diretor da organização Povos sem Fronteiras, que lidera a greve. Juntamente com Luis García, do Centro de Dignificação Humana, ele promove simultaneamente um amparo para que os migrantes possam deixar Tapachula, onde estão bloqueados há meses, e se deslocar pelo território mexicano.

Vários migrantes solicitaram asilo ao México para evitar a sua expulsão, mas os trâmites avançam lentamente. Devido a essa situação, eles planejam sair em caravana até a Cidade do México na próxima quarta-feira e exigir do presidente esquerdista Andrés Manuel López Obrador uma solução.

Mujica disse esperar que essas ações “dêem consciência e clareza ao presidente de que bater nos migrantes não é a solução”. O Instituto Nacional de Migração (INM) suspendeu dois agentes por terem maltratado um migrante haitiano em uma das caravanas nos últimos dias.

Até o momento, 147.033 pessoas sem documentos foram presas em 2021, três vezes mais do que no mesmo período de 2020, quando foram registradas 48.398 prisões, segundo o INM. Os migrantes, que fogem da violência e da pobreza em seus países, buscam chegar aos Estados Unidos para pedir abrigo.

Para conter a migração ilegal, o governo mexicano destacou mais de 27.000 militares das Forças Armadas em suas fronteiras sul e norte. /AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.