Pedro PARDO / AFP
Pedro PARDO / AFP

México deporta 98 migrantes centro-americanos após tentativa de cruzar fronteira dos EUA

Comissário de migração diz que imigrantes foram detidos, identificados e enviados de volta para seus países após tentativa frustrada de entrar nos EUA a partir de Tijuana; país já deportou 11 mil centro-americanos e tem planos para enviar outros 100 mil a seus países

O Estado de S. Paulo

26 Novembro 2018 | 03h24
Atualizado 26 Novembro 2018 | 14h43

TIJUANA, MÉXICO - O governo do México anunciou nesta segunda-feira, 26, ter deportado 98 migrantes da América Central após a tentativa malsucedida de cerca de 500 pessoas de atravessar a fronteira com os Estados Unidos na cidade de Tijuana. Eles foram repelidos com gás lacrimogêneo e balas de borracha

"Há 98 pessoas que foram colocadas à disposição do Instituto Nacional de Migração (INM) e foram deportadas", declarou Gerardo García Benavente, comissário da autoridade de migração, falando à Televisa.

No domingo, o ministro de Interior, Alfonso Navarrete Prida, adiantou que o país deportaria as pessoas que tentaram "entrar violentamente" nos EUA. Ele também afirmou que seu o México já enviou 11 mil centro-americanos de volta a seus países de origem desde 19 de outubro, quando a primeira caravana entrou no México, e tem planos para que outros 100 mil retornem para suas pátrias.

As autoridades de Tijuana, que faz fronteira com San Diego, na Califórnia, informaram que 39 imigrantes foram presos depois que uma marcha pacífica se transformou em uma caótica tentativa de cruzar as cercas que separam os dois países. Os EUA reabriram apenas nesta segunda a passagem de San Ysidro, em San Diego, fechada em razão da confusão de domingo.

A grande maioria dos mais de 5 mil imigrantes centro-americanos que acampam a mais de uma semana em um complexo esportivo da cidade, no entanto, retornaram para o abrigo improvisado depois da passeata.

Lurbin Sarmiento, de 26 anos e procedente de Copán, em Honduras, caminhou para o complexo esportivo com juá filha de 4 anos, ambas assustadas, depois do que aconteceu no vale entre o Rio Rijuana e a fronteira com os EUA.

Ela estava ao lado do leito do rio, em uma área de concreto, quando agentes de fronteira dos EUA lançaram bombas de gás lacrimogêneo. " Corremos, mas a fumaça chegou até nós e minha filha estava sufocando", disse Lurbin. Ela explicou que nunca se arriscaria dessa forma se imaginasse que essa seria a reação dos guardas americanos.

A hondurenha Ana Zúñiga, de 23 anos, afirmou que a reação da patrulha dos EUA começou depois que alguns imigrantes abriram um pequeno buraco em uma rede de arame farpado do lado mexicano da fronteira.

"Nós corremos, mas quando você corre o gás te asfixia mais", relatou Ana, com a filha de três anos no colo. 

Em nota, a secretária de Segurança Interna dos EUA, Kirstjen Nielsen, afirmou que as autoridades americanas manterão uma "presença robusta" em toda a fronteira sul do país e vão processar qualquer pessoa que causar danos ao patrimônio federal ou violar a soberania dos EUA.

"O DHS (sigla em inglês para Departamento de Segurança Interna) não tolerará este tipo de ilegalidade e não hesitará em fechar as portas de entrada por razões de segurança pública", afirmou Kirstjen.

Mais de 5 mil imigrantes estão acampados em Tijuana depois de atravessarem todo o território mexicano em uma grande caravana. Muitos já preencheram a documentação para solicitar asilo nos EUA, mas os agentes em San Ysidro só conseguem processar cerca de 100 pedidos por dia. 

Ireneo Mújica, que acompanhava os imigrantes há várias semanas representando o grupo de apoio Pueblo Sin Fronteras, afirmou que o objetivo da marcha de domingo em direção à fronteira dos EUA era tornar a situação dos migrantes mais visível para os governos do México e dos EUA.

"Não dá para todas essas pessoas ficarem por aqui", afirmou Mujica.

O prefeito de Tijuana, Juan Manuel Gastélum, declarou crise humanitária nesta cidade de 1,6 milhão de habitantes que, segundo ele, enfrenta dificuldades para receber todos os imigrantes. / AP

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