Migrantes são vitais para recuperação econômica, diz Pnud

A crise econômica global reduziu o papel da mão-de-obra migrante, mas isso deve mudar drasticamente já que os países desenvolvidos enfrentarão uma escassez de trabalhadores nas próximas décadas, segundo um relatório divulgado na segunda-feira pela ONU.

MARTIN PETTY, REUTERS

05 de outubro de 2009 | 11h24

A demanda pela mão-de-obra migrante acompanhará a eventual recuperação econômica, o que permitirá uma enorme economia administrativa e de recrutamento para as empresas que operam nos países ricos, de acordo com o Programa de Desenvolvimento da ONU.

"Depois da recuperação da recessão global, a demanda por trabalhadores migrantes irá voltar", disse Jeni Krugman, autora do mais recente relatório do Pnud sobre a migração.

O relatório defende o fim das restrições ao trânsito de trabalhadores estrangeiros, especialmente os não-qualificados, e recomenda que os governos evitem o protecionismo, liberalizem as leis trabalhistas e combatam a xenofobia e a marginalização dos trabalhadores imigrantes, cujas famílias se beneficiam enormemente das "remessas sociais" enviadas aos países de origem.

A renda dos migrantes dos países pobres é 15 vezes superior ao que eles obteriam em seus países, e o dinheiro enviado por eles está sendo decisivo para duplicar a taxa de matrícula escolar e reduzir significativamente a mortalidade infantil nos países de origem.

O Pnud disse que a demanda por mão-de-obra estrangeira nos países desenvolvidos seria mais elevada nas próximas quatro décadas, quando as forças de trabalho nativas desses países devem encolher. Já nos países pobres a população deve crescer em mais de um terço.

"As tendências na população e na demografia são um sinal para reconhecer a necessidade dos direitos dos migrantes e a remoção de restrições ao movimento", disse o relatório.

O estudo mostra que muitos migrantes trabalham em condições ruins e são vistos de forma negativa devido a concepções falsas a respeito da mão-de-obra estrangeira.

A maioria dos migrantes se desloca dentro dos seus próprios países, e não para o exterior, e isso causa pouco impacto sobre os recursos públicos.

"Os migrantes tipicamente estimulam a produção econômica e dão mais do que tiram", disse o Pnud. "A imigração não expulsa os locais do mercado de trabalho e melhora as taxas de investimentos em novos negócios e iniciativas."

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