REUTERS/Hannah McKay
REUTERS/Hannah McKay

Migrantes tentam pular cerca fronteiriça entre México e EUA

Ao menos 500 centro-americanos se arriscam em Tijuana, mas foram contidos com bombas de gás lacrimogêneo

O Estado de S.Paulo

25 de novembro de 2018 | 20h27

TIJUANA, MÉXICO - Centenas de centro-americanos da caravana de migrantes tentaram ontem pular a cerca fronteiriça que separa o México dos Estados Unidos em Tijuana em meio a empurrões e com mulheres levando até crianças, sem que a polícia local tenha conseguido conter a multidão.

Ao menos 500 migrantes que participavam de uma manifestação - que partiu do abrigo em que estão 5 mil centro-americanos - se separaram da marcha e se lançaram, sem sucesso, à linha fronteiriça dos EUA.

“Já estamos nos EUA?”, perguntaram desesperados alguns imigrantes enquanto esperavam cruzar a cerca dupla fronteiriça que separa Tijuana de San Diego, na Califórnia.

Um grupo numeroso conseguiu cruzar um primeiro muro e tentou pular o segundo, coberto por arame farpado, para chegar aos EUA, onde agentes da patrulha fronteiriça se mobilizavam.

Os guardas americanos dispararam bombas de gás lacrimogêneo na direção dos migrantes, que cobriram seus rostos para se proteger.

A multidão se amontoava na linha fronteiriça, aos empurrões e em meio aos gritos e ao choro das crianças. Os migrantes repetiam aos gritos que só queriam cruzar a fronteira para trabalhar e ter uma vida melhor, enquanto eram incentivados por moradores dos bairros empobrecidos de Tijuana.

Essa vigilância é parte do dispositivo de segurança mobilizado pelo presidente americano, Donald Trump, que acusa os centro-americanos de tentarem invadir os EUA.

Acordo

Os migrantes que solicitarem asilo nos EUA na fronteira sul do país deverão permanecer no México enquanto aguardam que seus pedidos sejam processados, anunciou Trump na noite de sábado.

“Os migrantes na fronteira sul não poderão entrar nos EUA até que seus pedidos sejam aprovados individualmente”, tuitou o presidente. “Todos permanecerão no México.”

Analistas dos pedidos de asilo nos EUA adotarão novos procedimentos nos próximos dias para que os solicitantes de asilo passem por uma avaliação inicial para determinar se estão sob risco iminente ao permanecer no México, onde a violência é generalizada. 

Sob o novo sistema, os funcionários americanos serão capazes de processar ao menos o dobro de solicitações de asilo porque não estarão limitadas pelo espaço de detenção nos pontos de entrada dos EUA. / AFP

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