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Nicholas Kamm/ AFP
Nicholas Kamm/ AFP

Mike Pompeo adia viagem à Ucrânia após ataque a embaixada dos EUA

Em comunicado, Departamento de Estado disse que secretário prefere "ficar e garantir a segurança dos americanos no Oriente Médio"; decisão 'desagradou' autoridades do país europeu

Redação, O Estado de S. Paulo

01 de janeiro de 2020 | 23h52

WASHINGTON - O secretário de Estado Mike Pompeo cancelou nesta quarta-feira, 01, a viagem de uma semana que faria à Ucrânia já na próxima sexta-feira. Conforme informado pelo Departamento de Estado, ele preferiu ficar na Casa Branca para monitorar ao lado de Donald Trump as crescentes tensões no Iraque, após o ataque da embaixada dos Estados Unidos, na capital Bagdá.

Segundo a porta-voz Morgan Ortagus, "Pompeo prefere ficar e garantir a segurança dos americanos no Oriente Médio". Ele deve viajar apenas em um "futuro próximo". Além da Ucrânia, o secretário também faria uma breve passagem por Bielorrússia, Cazaquistão, Uzbequistão e Chipre.

O ataque a embaixada americana aconteceu na última terça-feira, 31, após um protesto em prol dos 25 mortos em um bombardeio orquestrado pelos Estados Unidos no domingo, 29. Na ação, foram atingidas as bases das Brigadas do Hezbollah. Segundo a Casa Branca, a facção pró-iraniana, que tem homens no Iraque, foi a responsável pelo lançamento do foguete que matou um empresário americano na sexta-feira, 27, que estava de passagem pelo país.

Nesta quarta-feira, mais protestos tomaram espaço na capital Bagdá, no entanto, nenhum incidente ou ato de vandalismo foi registrado. Os manifestantes se dispersaram à tarde e não houve relatos de feridos. Ontem, Trump ordenou o envio de 750 soldados ao Oriente Médio, como alerta ao Irã.

Ex-funcionários do Departamento de Estado, e outras pessoas próximas a Pompeo, disseram que ele está empenhado em garantir que "os diplomatas americanos não sejam prejudicados sob a sua vigilância". Fontes também afirmaram que o maior receio do secretário é que ele "cometa os mesmos erros" da ex-secretária de Estado Hillary Clinton, durante o ataque de um grupo de militantes islâmicos contra o complexo diplomático americano de Benghazi, na Líbia, em 2012.

Durante a invasão, quatro americanos morreram. Entre eles, estava o embaixador J. Christopher Stevens. Em maio, quando os Estados Unidos passavam por um elevado período de tensão com o Irã, Pompeo se adiantou e ordenou a retirada da maioria dos funcionários da embaixada em Bagdá e no consulado de Arbil, na região autônoma do Curdistão iraquiano. Em setembro passado, ele também ordenou o fechamento do consulado em Baçorá, no Iraque.

 

Viagem à Ucrânia

Na visita que faria ao país do leste europeu já na sexta-feira, 03, Pompeo planejava se encontrar com o presidente Volodmir Zelenski. Esta seria a primeira reunião do líder ucraniano com alguém do gabinete americano, após a abertura do inquérito de impeachment de Trump pela Câmara, em dezembro passado.

Vale lembrar que o presidente norte-americano tem sido acusado pelos democratas de abuso de poder e obstrução do Congresso. Como provas, o processo apresenta como Trump teria retido 391 milhões de dólares em ajuda militar à Ucrânia, enquanto pressionava Zelenski a abrir uma investigação contra o candidato democrata à presidência, Joe Biden, e seu filho, Hunter Biden.

Entre Kiev e Washington, havia uma grande especulação sobre quais seriam as mensagens entregues por Pompeo a Zelenski em nome de Trump. Fontes esperavam que ele fosse até o país para comentar sobre o desejo do líder norte-americano de abrir investigações sobre as "acusações conspiratórias e infundadas", de interferência ucraniana nas eleições presidenciais de 2016, que o elegeram.

Entretanto, na segunda-feira, 30, o Departamento de Estado informou que a viagem do secretário teria como intuito "reafirmar o apoio dos Estados Unidos à soberania e integridade territorial da Ucrânia", em referência à guerra que ela trava há algum tempo contra uma insurgência apoiada pela Rússia nas regiões de Donetsk e Lugansk, ao leste do país europeu.

O cancelamento da segunda viagem, outra já havia sido planejada em novembro passado, "desagradou" ao alto escalão do governo ucraniano. Segundo autoridades, a sensação crescente na Ucrânia é a de que Trump teria pouca consideração pelo país, mantendo "sentimentos mais calorosos" pela Rússia e seu presidente, Vladimir Putin./ NYT

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