Mil sobreviventes são resgatados dos escombros no Irã

Pelo menos mil pessoas foram retiradas com vida neste domingo dos escombros da cidade histórica iraniana de Bam, praticamente destruída pelo terremoto de sexta-feira, informaram as autoridades, pedindo à comunidade internacional que não envie mais equipes de socorro ao país. "Não há mais necessidade", justificou o porta-voz do Ministério do Interior, Jahanbakhsh Khanjani. "Mas não vamos interromper as operações de busca enquanto houver chance de encontrar sobreviventes, pois em ocasiões anteriores soterrados conseguiram sobreviver mais de cinco dias."Existem, por outro lado, divergências entre autoridades quanto ao número de mortos. Dados difundidos pelo ministro do Interior, Mussawi Lari, indicavam ontem mais de 25 mil mortos e 30 mil feridos.?Catástrofe humana?Já o governador da província, Akbar Abavi, temia que, com a remoção do entulho, a soma dos mortos pudesse aproximar-se de 40 mil. "Uma inacreditável catástrofe humana ocorreu aqui", ressaltou Abavi. "Bam foi arrasada, 90% das casas ruíram." Tremores secundários de 3 e 5,3 graus na escala Richter voltaram a ocorrer hoje em Bam, aumentando o pânico entre os flagelados e assustando os 16 grupos estrangeiros de socorristas.O governo iraniano e o representante das Nações Unidas, Jasper Lund, chegaram à conclusão de que é desnecessária a presença no país de mais equipes de socorro internacionais. Lund esperava que as operações de busca de sobreviventes fossem encerradas hoje. Baseando-se em dados dele, uma porta-voz da ONU, em Genebra, manifestou pessimismo: "Salvo ocorra um milagre, não há nenhuma chance de que haja mais pessoas vivas naquelas ruínas.""Este cenário impõe limites até na esperança", concordou Ali Asghar, um socorrista do Crescente Vermelho. Mas, durante todo o dia, as equipes internacionais (que não deixarão o Irã e prosseguirão sua tarefa) haviam retirado pelo menos mil pessoas vivas do meio dos escombros - entre as quais um menino de três anos, Mohamed Abad - que ficaram soterradas 72 horas. Atribui-se também a esses socorristas o resgate de mais de 10 mil corpos. Eles contam com equipamentos modernos de salvamento, como minicâmeras de televisão e microfones. Os grupos dispõem também de cães farejadores. Há também centenas de corpos empilhados nas ruas, automóveis e caminhões. Famílias inteiras morreram e não têm quem as enterre.Ajuda dos EUATeerã dispensou equipes de socorro externas, mas deixou claro que toda ajuda externa para as vítimas será bem recebida, "exceto de Israel". Um avião dos EUA - país que inclui o Irã no chamado "eixo do mal" - chegou a Teerã com várias toneladas de medicamentos, roupas e alimentos. A prioridade agora é com a reconstrução da infra-estrutura básica (água potável, energia elétrica, vacinação), para evitar epidemias.Veja Galeria de Fotos

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