Milan Lukic declara-se inocente de acusações por crimes de guerra

O líder sérvio Milan Lukic, acusado em 21 processos por crimes de guerra cometidos durante o conflito na Bósnia (1992-1995), declarou-se inocente em depoimento ao Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugoslávia, informou nesta sexta-feira uma porta-voz do Tribunal da ONU.Lukic, um dos dez homens mais procurados por crime de guerra no planeta, compareceu pela primeira vez diante dos juízes, depois de ser entregue à instituição na segunda-feira pelas autoridades judiciais da Argentina.Ele é acusado de ter organizado um grupo de paramilitares chamado "Águias Brancas" ou "Vingadores" que, com a ajuda de policiais locais e algumas unidades militares, aterrorizou muçulmanos bósnios e cidadãos que não eram sérvios em Visegrad, sudeste da Bósnia, em 1992.Lukic, seu primo Sredoje Lukic e outras pessoas também são acusados de ter prendido cerca de 70 mulheres, idosos e crianças em uma casa em Visegrad, depois incendiado e disparado contra aqueles que tentaram sair pelas janelas, no dia 14 de junho de 1992. De acordo com a lista de acusações, Milan e Sredoje repetiram o episódio duas semanas mais tarde, em 27 de junho, com outras 70 pessoas em uma residência nos arredores da cidade.Ele ainda é acusado do assassinato de cinco muçulmanos bósnios nas margens do rio Drina, em 7 de junho de 1992, assim como de detenções ilegais, destruição e saque de propriedade privada.O sérvio foi detido em 8 de agosto do ano passado, em Buenos Aires, sob uma ordem internacional de captura e foi extraditado na segunda-feira passada pela justiça argentina para Haia, onde permanece detido, assim como seu primo, Sredoje, que espera por julgamento pelos mesmos crimes.

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