AP Photo/Luis M. Alvarez
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Milhares de apoiadores de Trump saem em marcha convencidos de sua vitória

Sem apresentar evidências, grupos favoráveis a Donald Trump protestaram contra suposta fraude nas eleições em Washington; Colégio Eleitoral validará vitória de Biden na segunda

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de dezembro de 2020 | 22h09

WASHINGTON - Mais de um mês após a eleição de Joe Biden, uma multidão usando bonés vermelhos com a inscrição "Make America Great Again" invadiu a capital dos Estados Unidos neste sábado, 12, para pedir "mais quatro anos" de mandato para Donald Trump, dizendo ter havido uma "fraude maciça" na eleição.

Não há evidências de que houve fraude na eleição. Por falta de dados tangíveis para apoiar as alegações de fraude eleitoral, os cerca de cinquenta recursos apresentados pelos aliados de Trump foram rejeitados pelos tribunais ou abandonados, com apenas uma exceção.

E, apesar de uma derrota final e decisiva na véspera na Suprema Corte, milhares de apoiadores de Trump foram às ruas para mostrar que estão convencidos da "vitória" republicana. Em uma atmosfera festiva, vários deles se reuniram na Freedom Plaza, não muito longe da Casa Branca.

“Não vamos ceder”, prometeu Luke Wilson, um senhor de 60 anos de Idaho, agitando uma bandeira defendendo o direito ao porte de armas. Uma "interferência estrangeira" e até um software eleitoral que teria apagado milhões de votos destinados ao presidente: esses e outros motivos foram citados pelos manifestantes para explicar o "roubo" que teria sofrido o magnata republicano nas urnas. 

'Trump 2024' 

Todos os estados certificaram formalmente seus resultados, atribuindo a vitória a Biden, e o Colégio Eleitoral validará na segunda-feira, 14, o triunfo do democrata, que tomará posse no dia 20 de janeiro. Darlene Denton usava um emblema "Trump 2024" em seu moletom. “Ninguém quer ver as evidências”, disse a mulher de 47 anos que veio do Tennessee para expressar seu amor por um líder que teria dado “voz” ao povo americano.

O próprio presidente ainda se recusa a admitir a derrota. "Uau! Milhares de pessoas estão se reunindo em Washington para evitar que nossas eleições sejam roubadas", comemorou Trump no Twitter neste sábado, antes de seu helicóptero sobrevoar a multidão que cantava o hino americano.

Entre os manifestantes, membros da milícia de extrema direita "Proud Boys", reconhecidos pelas roupas amarelas e pretas e pelo uso de coletes à prova de balas, foram aclamados pela multidão. "Fora, nazistas!", gritaram militantes do movimento Black Lives Matter reunidos a algumas ruas de distância. A cada vez que os grupos se provocaram, policiais apareciam para dividir os dois lados. 

Vários atos anti-Trump com pouca participação foram organizados na capital, um deles no Black Lives Matter Plaza, perto da Casa Branca, onde milhares de pessoas se reuniram no início de novembro para celebrar o triunfo de Biden.

Preocupação

Moradores de Washington expressaram preocupação de que o fluxo de manifestantes sem máscara coloque toda a cidade em risco, especialmente os trabalhadores em restaurantes e hotéis. Ativistas inundaram as caixas de entrada das autoridades municipais, pedindo-lhes que fechassem empresas que permitem que as pessoas se reúnam sem máscaras.

Eles ligaram para hotéis para pedir que eles se recusassem a hospedar aqueles que planejam participar dos comícios de sábado, com pouco sucesso. Ainda chegavam manifestantes de todo o país, com familiares, amigos e bandeiras.

David Dumiter, de 33 anos, e sua sobrinha Monica Stanciu dirigiram oito horas de Dearborn, Michigan, para estar em Washington no sábado. Dumiter, um mecânico de aviões que disse estar desempregado desde que a pandemia dizimou as viagens aéreas, disse saber que a Suprema Corte havia bloqueado qualquer caminho legal para reverter os resultados da eleição.

Isso não o fez mudar de ideia. O presidente ainda estava pressionando, então ele o faria também. "Não vamos ceder"/ AFP e Washington Post

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