Milhares de armênios lembram massacre de 1915

Dezenas de milhares de armênios marcharam pela capital do país hoje para marcar o 94º aniversário do início dos assassinatos em massa realizados por turcos otomanos. A multidão marchou por Yerevan com tochas e velas para marcar a data da detenção de centenas de intelectuais armênios na cidade que era então conhecida como Constantinopla - atualmente Istambul - pelas autoridades otomanas. A prisão desses intelectuais foi rapidamente seguida pela retirada forçada de armênios de suas casas em ações que transformaram-se em assassinatos em massa. Muitos dos manifestantes pediram que a Turquia reconheça as mortes como genocídio.

AE-AP, Agencia Estado

24 de abril de 2009 | 18h06

A Armênia e a Turquia informaram ontem que estão perto de restaurar totalmente suas relações e de reabrirem suas fronteiras depois de 15 anos. Mas nenhum dos lados indicou como podem resolver a disputa sobre os assassinatos, ocorridos em 1915. A Armênia diz que cerca de 1,5 milhão de armênios foram assassinados pelo turcos no que era então o Império Otomano, enquanto a Turquia alega que as mortes ocorreram durante uma conflito civil e que o número de mortos foi inflado. Estudiosos consideram o evento como o primeiro genocídio do século 20.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, classificou hoje as mortes como "uma das grandes atrocidades do século 20". Durante a campanha presidencial, o mandatário norte-americano havia se referido ao episódio como "genocídio armênio". Porém, evitou o uso do termo "genocídio" durante uma visita recente à Turquia, dizendo apenas que suas opiniões sobre o tema estavam registradas.

A manifestação de hoje começou com a queima de bandeiras turcas. Muitos carregavam placas culpando a Turquia por derramar o "sangue de milhões" e pedindo que Ancara reconheça os assassinados como genocídio. A marcha terminou na região central de Yerevan, num monumento às vítimas do massacre. O tema fez parte da liturgia em igrejas em todo o país.

"Crimes contra a humanidade não prescrevem na memória dos países", afirmou o presidente da Armênia, Serge Sarkisian, em comunicado. "O reconhecimento internacional e a condenação do genocídio armênio (...) é uma questão de restauração da justiça histórica." A manifestação, liderada por grupos nacionalistas, é um evento anual e não deve afetar o processo de reconciliação entre Armênia e Turquia.

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