REUTERS / Gleb Garanich
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Milhares de armênios protestam contra recusa do Parlamento em aceitar candidatura de líder opositor

Manifestantes se reuniram no centro da capital, Erevan, em resposta à convocação de 'desobediência civil' de Nikol Pashinian, de 42 anos, que lidera um movimento de protesto no país desde o dia 13 de abril

O Estado de S.Paulo

02 Maio 2018 | 09h37

EREVAN - Milhares de armênios saíram às ruas de Erevan nesta quarta-feira, 2, bloqueando avenidas e edifícios públicos, em protesto contra a recusa do Parlamento em aceitar o líder opositor Nikol Pashinian como candidato a primeiro-ministro.

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Os manifestantes se reuniram no centro de Erevan em resposta à convocação de "desobediência civil" de Pashinian, de 42 anos, que lidera um movimento de protesto no país desde o dia 13 de abril.

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Em uma demonstração de força, os manifestantes paralisaram a capital da Armênia, onde quase todas as ruas estavam bloqueadas ao trânsito e muitas lojas permaneciam fechadas. O transporte ferroviário foi prejudicado e a estrada que leva ao aeroporto foi bloqueada.

A Armênia está há três semanas em uma crise política sem precedentes. Um movimento de protesto provocou no dia 23 de abril a renúncia de Serzh Sarkisian, que havia sido eleito primeiro-ministro seis dias antes pelos deputados. Ele foi presidente do país por 10 anos.

Nesta quarta-feira, a multidão nas ruas exibia bandeiras armênias, fazia barulho com cornetas e gritava "Armênia livre e independente!". "Queridos, o metrô e as ferrovias foram paralisados", afirmou Pashinian a seus seguidores, antes de informar que várias universidades e escolas se uniram ao protesto.

Pouco depois, no entanto, Pashinian pediu a seus partidários que liberassem a estrada para o aeroporto. Até o momento, a polícia não atuou para tentar acabar com os protestos. "Vários cenários estão sendo discutidos. Cada um resulta na vitória do povo", disse o líder opositor.

"O povo não vai desistir, os protestos não diminuirão", afirmou Serguei Konsulian, um empresário de 45 anos. Gayane Amiragian, estudante de 19 anos, concordou: "Nós vamos vencer porque estamos unidos, todo o povo armênio está unido".

O Parlamento não conseguiu se reunir nesta quarta-feira por falta de quorum, após a recusa do Partido da Prosperidade a participar na sessão. "O país se encontra em uma situação de emergência. Nossa bancada inicia um boicote político", afirmou um de seus deputados, Vahe Enfiagian.

Nova votação

O Parlamento anunciou nesta quarta-feira que organizará uma nova votação no dia 8 de maio, uma semana depois da primeira. Caso fracasse novamente em definir o chefe de governo, a Câmara deverá ser dissolvida para a convocação de legislativas antecipadas.

Os deputados, reunidos na terça-feira em sessão extraordinária para definir um novo primeiro-ministro, rejeitaram a candidatura do opositor Pashinian, embora ele fosse o único nome na disputa.

O Partido Republicano, que governa o país e tem maioria no Parlamento, votou contra o nome de Pashinian. Dos 100 deputados que participaram na sessão, 55 rejeitaram o opositor e 45 votaram a favor do líder dos protestos. "Senhor Pashinian, não o vejo no cargo de primeiro-ministro", afirmou Eduard Sharmazanov, porta-voz do Partido Republicano e vice-presidente do Parlamento.

Antes da votação, vários deputados do partido no poder criticaram o que consideram falta de coerência do programa político de Pashinian. "Não se pode ser um pouco socialista e um pouco liberal", declarou Sharmazanov.

Herói

Quando anunciou sua candidatura ao cargo de chefe de governo, Pashinian multiplicou as demonstrações de força e reuniu, quase diariamente, seus partidários na Praça da República.

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Muitos armênios recordam as mortes de 10 manifestantes em 2008 em confrontos entre seus partidários e a polícia, quando Serzh Sarkisian acabara de obter o primeiro mandato presidencial. Pashinian passou meses na clandestinidade antes de se entregar às autoridades. Ele foi detido, mas em 2011 ganhou a liberdade graças a uma anistia.

A liderança no protestos recentes o transformou em "herói" para muitos armênios, segundo o analista independente Ervand Bozoyan. "Desde os anos 1990, as pessoas esperam mais mudanças no país. Agora veem que é possível. Estão surpresas.”

Os partidários de Pashinian afirmam que Sarkisian, presidente da Armênia de 2008 a 2018, e o Partido Republicano não reduziram a pobreza e a corrupção no país, ao mesmo tempo que deixaram os oligarcas no controle da economia da ex-república soviética do Cáucaso, que tem 2,9 milhões de habitantes. / AFP

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