REUTERS/Matias Baglietto
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Milhares de australianos vão às ruas pedir renúncia do primeiro-ministro por incêndios

Manifestantes criticam políticas ambientais de Scott Morrison, que tem apoiado a indústria do carvão em detrimento do meio ambiente

Redação, O Estado de S.Paulo

11 de janeiro de 2020 | 08h52

SIDNEY - Milhares de pessoas protestaram em várias cidades da Austrália nesta sexta-feira, 10, para pedir a renúncia do primeiro-ministro Scott Morrison por sua inação em meio aos incêndios florestais que já mataram quase um bilhão de animais e atingiram uma área média de 10 milhões de hectares. 

Manifestantes também ocuparam as embaixadas australianas em países como Espanha, Chile, Argentina, Alemanha, Inglaterra e África do Sul. Dentre os cartazes, era possível ler mensagens que pediam pela diminuição da emissão de carbono e “Procura-se Scott Morrison”. 

"Estamos protestando porque esses incêndios não têm precedentes, estão queimando desde setembro e precisamos de ações urgentes contra isso e contra a crise climática", disse Anneke De Manuel, uma das organizadoras do protesto realizado pelos universitários ambientalistas Students for Climate Justice e o movimento de Extinction Rebellion.

"Também reivindicamos a transição imediata de 100% dos combustíveis fósseis para energias renováveis e que Scott Morrison renuncie", acrescentou.

Os incêndios iniciados em setembro do ano passado já causaram 26 vítimas fatais, dentre as quais estão quatro bombeiros, além de terem queimado mais de 2.000 casas e uma área mais de duas vezes maior que a Bélgica.

A polícia do estado de Victoria, cuja capital é Melbourne, disse que não possui efetivos suficientes porque estão sendo mobilizados nos incêndios florestais, que afetam principalmente o sudeste do país. Ao longo do episódio, o chefe de governo também tem se recusado a relacionar a crise climática o agravamento dos fogos à crise climática, algo confirmado pelo próprio Escritório de Meteorologia estatal.

"A mudança climática está influenciando a frequência e a gravidade das perigosas condições dos incêndios na Austrália e em outras partes do mundo", informou o órgão.

A Austrália é o maior exportador mundial de carvão e Morrison, antes de se tornar primeiro-ministro, foi ao Parlamento com um pedaço do mineral para defender as empresas do setor contra os apelos para reduzir a produção em prol do meio ambiente.

Ao longo dos protestos, os manifestantes também exigiram que os subsídios às indústrias poluidoras fossem cancelados e, em vez disso, a verba fosse direcionar para financiar bombeiros, o combate aos incêndios e cuidar das comunidades afetadas pelas chamas.

A gota d'água para muitos australianos foi quando Morrison tirou férias no mês passado e foi para o Havaí, enquanto a crise dos incêndios atingia seu auge. O premiê pediu desculpas posteriormente. / EFE

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