Milhares de britânicos protestam contra guerra ao Iraque

Milhares de pessoas participaram da jornada de protestos nas ruas das cidades britânicas contra a guerra ao Iraque e a política adotada sobre esse tema pelo governo trabalhista do primeiro-ministro Tony Blair."Não à guerra do Iraque" e "Parem a guerra agora" foram alguns dos lemas das manifestações realizadas em todo o país, organizadas pela "Coalizão Parem a Guerra" - uma frente ampla que reúne setores progressistas, de esquerda, religiosos, intelectuais, sindicatos e associações feministas, entre outros."A maioria das pessoas neste país é contrária à guerra. Mesmo assim, sua vontade é ignorada pelo governo e marginalizada pelos meios de comunicação", disse o presidente da coalizão, Andrew Murray. Entre os membros da organização estão vários trabalhistas que criticam a linha dura adotada pela Grã-Bretanha, como principal aliada dos EUA, entre eles o popular Mo Mowlan, ex-ministro para a Irlanda do Norte do governo de Blair. Aos dirigentes da esquerda histórica, como Tony Benn, somam-se representantes da cultura, como o diretor de cinema Ken Loach, a atriz Vanessa Redgrave, o dramadturgo Harold Pinter, o escritor Ronan Bennet e a jornalista Yvonne Ridley, que foi prisioneira dos talebans. Em Londres, os manifestantes marcharam em direção a Whitehall, detiveram-se em Downing Street e invadiram as ruas gritando lemas pacifistas. Os estudantes optaram por várias modalidades de protesto: em Oxford, andaram de bicicleta; em Edimburgo, percorreram a pé o trajeto entre a universidade e o centro da cidade; em Leeds, realizaram protestos diante da televisão local e em Stockport, fizeram uma vigília com velas acesas. Associações universitárias realizaram debates e assembléias em várias faculdades sobre o tema, enquanto uma coluna de estudantes atravessava a ruas de Oldman, cruzava a cidade da região de Midlands - que foi palco de violentos choques raciais no ano passado. Segundo uma pesquisa publicada há alguns dias pelo jornal The Guardian, 40% dos britânicos são contra a guerra com o Iraque, enquanto 35% deles estão a favor. Blair não conseguiu convencer a maioria de que a guerra contra Bagdá é uma decisão justa, a julgar sobretudo pelo crescimento das manifestações contrárias ao conflito e pelas advertências pronunciadas pelos bispos anglicanos.

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