Milhares de chineses fogem temendo rompimento de barreiras

Milhares de chineses fugiram desuas casas no sábado, em meio a temores de que um lago possaromper suas barreiras, prejudicando os esforços de resgatedepois de o terremoto mais catastrófico em mais de 30 anos terdeixado cerca de 29 mil mortos. Trabalhadores de resgate retornaram ao condado de Beichuan,perto do epicentro do terremoto, na província de Sichuan, masmuitos moradores estavam assustados demais para voltar,temerosos devido a um lago formado depois de os abalosposteriores ao terremoto principal terem provocado avalanchesque bloquearam o fluxo de um rio. "Depois de uma breve retirada de moradores, os trabalhos deresgate voltaram ao normal em Beichuan", disse um site oficial(www.china.com.cn), atribuindo a fuga de moradores a um falsoalarme. Um oficial paramilitar tinha dito à Reuters antes que aprobabilidade de o lago romper suas barreiras era "extremamentealta." A situação "é muito perigosa, porque ainda há tremores queprovocam deslizamentos de terra que podem danificar abarragem," disse Luo Gang, operário da construção que deixou acidade portuária de Xiamen, no sudeste do país, e voltou paracasa para procurar sua noiva desaparecida. Os trabalhos de resgate foram complicados pelo mau tempo, oterreno irregular e as centenas de abalos posteriores. O Instituto Geológico dos EUA relatou um tremor de 6,1pontos com epicentro a 80 quilômetros a oeste de Guangyuan. É omais recente de uma série de abalos posteriores que atingiram aprovíncia de Sichuan. A agência oficial de notícias chinesaXinhua disse que não há informações imediatas de mais danos oumortes nessa região. "Embora o melhor momento para resgatar sobreviventes játenha passado, salvar vidas ainda é nossa primeira prioridade",disse o presidente Hu Jintao a sobreviventes em choque, umasemana depois de a China ter comemorado a chegada da tochaolímpica ao cume do monte Everest. Enquanto o tempo esquenta, os sobreviventes se preocupamcom a higiene e começam a fazer perguntas sobre seu futuro demais longo prazo. "O que não precisamos mais no momento é macarrãoinstantâneo", comentou o caminhoneiro Wang Jianhong, na cidadede Dujiangyan. "Queremos saber o que vai ser de nossas vidas." As autoridades planejam distribuir diariamente 0,5 quilo dealimento e um subsídio de 10 yuans (1,45 dólar) às pessoas queenfrentam dificuldades financeiras nas regiões atingidas peloterremoto, durante o prazo de três meses, informou a Xinhua,após uma reunião presidida pelo premiê Wen Jiabao. Também pretendem instalar trailers residenciais, salas deaula temporárias e ambulatórios para a população atingida peloterremoto. POPULAÇÃO TENSA Há receios crescentes sobre a segurança de barragens eaçudes que sofreram abalos na província montanhosa de Sichuan,uma área aproximadamente igual à da Espanha. Em Sichuan e na vizinha Chongqing, 17 açudes foramdanificados e algumas barragens apresentam rachaduras evazamentos. Várias delas ficam no rio Min, que passa pelasáreas mais afetadas pelo terremoto, entre o planalto tibetano ea planície de Sichuan. A barragem de Lianhehua, construída no final dos anos 1950a noroeste de Dujiangyan, apresenta rachaduras tão grandes quese pode colocar um punho fechado nelas. "Com a barragem nesta situação, não podemos ficartranquilos", disse o lavrador Feng Binggui, que mudou-se de seupovoado, situado abaixo da barragem, para as montanhas. A China prevê que o número de vítimas fatais do terremoto,de 7,9 pontos de magnitude, exceda os 50 mil. Cerca de 4,8milhões de pessoas perderam suas casas, e os dias para oresgate de sobreviventes estão contados. O porta-voz ministerial Guo Weimin, fazendo uma pausa parase recompor ao ler o relatório de vítimas em uma entrevista àimprensa, informou que o número de mortos no momento está em28.881. O premiê Wen disse que o terremoto foi "o maior e maisdestrutivo" desde antes da revolução comunista de 1949 e que areação rápida ajudou a reduzir o número de mortes. E isso mesmo quando comparado ao terremoto de 1976 nacidade de Tangshan, no norte do país, que matou até 300 milpessoas. O vice-governador de Sichuan, Li Chengyun, disse que maisde 188 mil pessoas ficaram feridas e cerca de 10.600 pessoascontinuam presas sob os destroços. Cerca de 2,6 milhões debarracas são necessárias para abrigar 4,8 milhões de pessoas,disse ele. Um operário que reparava cabos morreu no sábado, três mesesantes de Pequim sediar as Olimpíadas, atingido por pedrasquando um abalo posterior moderado atingiu o condado de Lixian. O presidente Hu elogiou os funcionários de resgate por suabravura em Wenchuan, o epicentro do terremoto, quando a regiãofoi atingida por outro abalo. Num vislumbre de esperança de que mais pessoas ainda possamser retiradas dos escombros com vida, 33 pessoas foramresgatadas em Beichuan, incluindo um camponês de 69 anos quepassara 119 soterrado. Soldados retiraram 18 cientistas que nãotinham meios de sair de uma floresta na vizinha Mianzhu. Um site do governo disse que a China está em alertacautelar contra possíveis vazamentos radiativos. O principallaboratório nacional de pesquisas com armas nucleares fica emMianyang, ao lado de vários sítios atômicos secretos, mas nãohá usinas nucleares. A China enviou 150 mil soldados à região do desastre, massuprimentos e trabalhadores de resgate vêm tendo dificuldade emchegar às áreas mais atingidas devido às quedas de barreiras eà destruição de estradas pelo terremoto. Ofertas de ajuda do exterior vêm chegando constantemente, eequipes de resgate do Japão, Rússia, Taiwan, Coréia do Sul eCingapura já chegaram ao país. As doações recebidas ultrapassamos 6 bilhões de yuans.

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