Milhares de egípcios se reúnem no Cairo para manifestação islâmica

'Sexta-feira da unidade e a reunificação' reuniu slogans pedindo a sharia e um presidente muçulmano

Efe

29 de julho de 2011 | 11h36

"Egito é um país islâmico, não uma província americana" gritaram manifestantes

 

 

CAIRO - Dezenas de milhares de egípcios se manifestaram nesta sexta-feira, 29, na praça cairota de Tahrir em um protesto com caráter islâmico, que está sendo um dos maiores desde a revolução que derrubou o regime de Hosni Mubarak.

 

Veja também:

especialInfográfico: A revolta que abalou o Oriente Médio

 

Ao contrário das sextas-feiras anteriores, nos quais predominaram os slogans políticos, nesta ocasião palavras de ordem como "o povo quer a aplicação da sharia (lei islâmica)", "não há mais Deus que Alá e Maomé é seu profeta" e "Egito é um país islâmico, não uma província americana" foram os mais gritados.

 

 

Apesar de última hora, a maioria dos grupos políticos laicos uniu-se a esta manifestação, batizada como "sexta-feira da unidade e a reunificação", convocada pelo movimento islâmico Irmãos Muçulmanos, a principal força política de país, e as organizações salafistas.

 

Mesmo assim, destacou a arrasadora presença de homens com barba e túnica branca e diversas mulheres com niqab, o véu que tampa todo o corpo menos os olhos.

 

Presidente muçulmano

 

Um dos manifestantes, Hashim Asawi, formado em Trabalho Social, explicou à Agência Efe que chegou nesta sexta-feira a Tahrir porque quer um presidente muçulmano.

 

"O islã tem um sistema que está bem e é uma religião muito antiga", ressaltou Asawi, de 27 anos, membro dos Irmãos Muçulmanos, que ressaltou que seus companheiros de credo respeitam os cristãos e aos judeus.

 

"Os Irmãos Muçulmanos é um grupo que quer o bem para o Egito, e EUA e Europa não devem temê-los", apontou Asawi.

 

Reza

 

Como vem sendo habitual, o protesto começou após a reza muçulmana do meio-dia, no qual o imame Mazhar Shahin, conhecido como o "predicador da revolução", foi o encarregado de pronunciar o sermão em Tahrir.

 

"Nenhum grupo tem direito a pedir que se exclua a qualquer outro diferente dele, já que todos somos egípcios sob o mesmo céu desta pátria", apontou Shahin, que insistiu que "o fato de que Egito seja islâmico supõe a verdadeira garantia que os cristãos vivem seguros".

Tudo o que sabemos sobre:
Egitomanifestaçãoshariaislamismo

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.