REUTERS/Juan Medina
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Milhares de estudantes vão às ruas da Catalunha para defender plebiscito

Com bandeiras da região e aos gritos de 'votaremos' e 'independência', quase 10.000 secundaristas e universitários protestaram em Barcelona a favor de votação; zagueiro Gerard Piqué usa conta no Twitter para apoiar realização de consulta

O Estado de S.Paulo

28 Setembro 2017 | 12h13

BARCELONA - Milhares de estudantes em greve saíram às ruas de Barcelona nesta quinta-feira, 28, como parte da "mobilização permanente" dos separatistas catalães, a três dias do plebiscito de independência proibido pela Justiça espanhola.

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Com a bandeira do movimento e aos gritos de "votaremos" e "independência", quase 10.000 estudantes caminharam pela Grande Via das Cortes Catalãs, uma das principais avenidas da cidade.

Universitários e alunos do Ensino Médio defendem a celebração da consulta, contra a qual o governo e a Justiça espanhola mobilizaram um amplo dispositivo legal e policial.

"A maioria dos jovens é separatista. Os que não eram se tornaram separatistas depois de ver o que a Espanha fez nas últimas semanas", disse a estudante Aina González, de 16 anos.

"Se uma quantidade tão grande como a de hoje na Catalunha deseja a separação do país, então, devem deixar que votem", afirmou Pau Cabrinety, de 15 anos.

A mobilização estudantil pode provocar a ocupação dos colégios que seriam usados como locais de votação no domingo. A consulta divide profundamente a sociedade catalã entre separatistas e partidários da continuidade na Espanha, provocando uma das maiores crises políticas do país nas últimas décadas.

"Este plebiscito não soluciona. É mais um problema, porque confronta os dois grupos da Catalunha", declarou Alex Ramos, vice-presidente da associação Sociedade Civil Catalã (SCC), contrária à separação.

A Justiça ordenou à polícia regional, os Mossos d'Esquadra, o fechamento dos colégios no mais tardar até sexta-feira à noite, mas a força de segurança hesita e já advertiu para o "risco" de distúrbios na aplicação da ordem.

O Ministério espanhol do Interior tentou enviar uma mensagem de tranquilidade. "Se for cumprido o que o juiz estabelece, que não se podem abrir os colégios, não há motivo para uma resposta violenta por parte de ninguém, e confio que será assim", disse o secretário de Estado de Segurança, José Antonio Nieto.

Nos últimos dias, com o objetivo de impedir o plebiscito, milhares de reforços da Guarda Civil e da Polícia Nacional foram mobilizados pelo governo espanhol na Catalunha, o que foi denunciado pelos separatistas como uma medida de "repressão".

Os representantes de sindicatos da Polícia afirmaram que sua presença na região é motivada pela "defesa da lei e em apoio a juízes e promotores, e não para perseguir ideias, urnas, ou cédulas".

"Domingo vai ser um dia pacífico, nem a Polícia espanhola nem a catalã são polícias repressoras. Nós não viemos em pé de guerra, viemos para que seja um dia em que a lei será cumprida", declarou a secretária-geral do Sindicato Unificado de Polícia, Mónica Gracia.

Apoio

O zagueiro do Barcelona e da seleção espanhola, Gerard Piqué, se manifestou nesta quinta-feira em favor do plebiscito de autodeterminação da região.

"De hoje até domingo, nos expressaremos pacificamente. Não vamos lhes dar desculpas (para reagirem). É o que querem. Vamos cantar alto e forte. #votaremos", escreveu o jogador em sua conta no Twitter.

Até o começo da tarde, a mensagem tinha recebido mais de 3 mil comentários, 38 mil curtidas e tinha sido compartilhada outras 23 mil vezes.

Desta forma, Piqué reiterou sua posição favorável à votação. "Estou totalmente de acordo com o direito dos catalães decidirem", disse o zagueiro no fim do ano passado.

As declarações do jogador o transformaram em alvo de vais nos últimos jogos da seleção espanhola por parte da torcida, que o considera um independentista, apesar de ele nunca ter se expressado claramente neste sentido. / AFP

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