Milhares de fiéis vão a Fátima se despedir da irmã Lucia

Milhares de peregrinos se reuniram hoje no mais famoso santuário mariano de Portugal para assistir à transferência dos restos da irmã Lucia, última vidente de Fátima, para o local onde disse ter visto e ouvido a Virgem em 1917.Apesar do tempo ruim, com fortes ventos e chuvas que chegaram a derrubar dezenas de árvores, os devotos portugueses e estrangeiros não desanimaram. A pé e em longas filas de veículos, viajaram de madrugada para assistir à exumação de Lucia dos Santos.Morta em 13 de fevereiro de 2005, Lucia pediu para ser enterrada por um ano no monastério carmelita de Coimbra, onde viveu, enclausurada, os últimos 46 anos de sua vida e escreveu as memórias do que presenciou em 1917.Hoje, às 8h30 (5h30 em Brasília), foi celebrado o primeiro dos atos eucarísticos que marcarão a última viagem da Irmã Lucia do Coração Imaculado (seu nome na Igreja) a Fátima.Em meio a medidas de segurança para impedir o fanatismo religioso e regular o intenso trânsito pelas rodovias que levam a Fátima, o corpo de Lucia será levado ao santuário. Mais de 250 mil fiéis são esperados para o cortejo.Lucia será enterrada com seus dois primos, Francisco e Jacinta Marto, mortos poucos anos após as supostas aparições.Lucia, a mais velha das três crianças pastoras, tinha 10 anos quando disse que viu e ouviu a Virgem no lugar conhecido como Cova da Iria, onde hoje fica o santuário.Apenas Lucia teria escutado "a senhora que brilhava mais que o sol". Ela foi a depositária de três segredos de Fátima, agora já revelados, que se referiam ao fim da Primeira Guerra Mundial, à morte prematura de seus primos e ao atentado contra o papa João Paulo II em Roma.Muitos devotos reunidos em Fátima pedem a beatificação de Irmã Lucia, para se unir nos altares a seus dois primos, beatificados em 13 de maio de 2000.O padre Luis Kondor, que propôs a canonização de Francisco e Jacinta, disse que um dos supostos milagres atribuídos à intervenção da Irmã Lúcia aconteceu em junho de 2005. Uma menina argentina de quatro anos, portadora de Síndrome Hemolítica, teria sido curada.Kondor, que lembra que o Direito Canônico exige que se espere cinco anos após a morte para realizar o processo de beatificação, considerou o caso da menina argentina como uma "cura sensacional".

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