Milhares de malaios saem às ruas para exigir reforma eleitoral

Segundo o site independente Malaysiakini, cerca de 50 mil pessoas participaram do protesto, que pretendia chegar à Praça da Independência, apesar da proibição decretada pelas autoridades

EFE,

28 de abril de 2012 | 09h58

BANGCOC - A Polícia malásia interveio neste sábado, 28, com gás lacrimogêneo e canhões de água ao término de uma concentração em Kuala Lumpur, onde milhares de pessoas exigiram uma reforma eleitoral.

Segundo o site independente Malaysiakini, cerca de 50 mil pessoas participaram do protesto, que pretendia chegar à Praça da Independência, apesar da proibição decretada pelas autoridades que desdobraram dois mil policiais nessa zona.

A manifestação foi convocada pelo coletivo Bersih ("Limpo", em malaio), que em julho do ano passado realizou outro protesto para pedir eleições livres e limpas. Daquela vez, a Polícia usou a força, e o saldo foi de um manifestante morto e cerca de 1.700 detidos.

O vice-presidente do Bersih, Ambiga Sreenevasan, declarou hoje que se tratava de uma manifestação pacífica que tentaria chegar até onde as autoridades permitissem e que ali os participantes se sentariam em sinal de protesto.

A passeata terminou com todos sentados diante do cordão policial, após o que Ambiga pediu aos concentrados que se dispersassem, mas alguns deles tentaram levantar as barreiras da Polícia e chegar à área isolada.

Segundo o periódico "The Star", a Polícia respondeu lançando gás lacrimogêneo e utilizando canhões de água contra os manifestantes, alguns dos quais foram detidos.

Após o protesto do ano passado, o Governo do primeiro-ministro Najib Razak criou uma comissão parlamentar que propôs algumas reformas no sistema eleitoral, como a revisão do censo e garantias para uma igualdade de acesso aos meios de comunicação.

Bersih e os partidos da oposição consideram estas propostas insuficientes e pedem uma reforma da comissão eleitoral, à qual acusam de favorecer a coalizão governante.

O Governo da Malásia esteve em poder da Frente Nacional, liderada pela Organização Nacional para a Unidade Malaia (UMNO), desde a independência em 1957, e o primeiro-ministro sempre foi um membro da UMNO.

No entanto, nas eleições de 2008, a oposição conseguiu um resultado histórico ao ganhar um terço das cadeiras do Parlamento, assim como os Governos de cinco estados e o da capital.

A coalizão opositora assegura que pode vencer a coalizão governante nas próximas eleições - previstas para o ano que vem, mas que podem ser remarcadas para este ano - se as reformas permitirem um pleito justo e livre.

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