Dmitry Lovetsky/AP
Dmitry Lovetsky/AP

Milhares de manifestantes denunciam fraude e pedem novas eleições na Rússia

Mais de 130 manifestantes foram detidos em todo o país, a maioria deles por participar de manifestações não autorizadas pelas autoridades

Efe,

10 de dezembro de 2011 | 20h36

MOSCOU - Dezenas de milhares de manifestantes saíram às ruas de várias cidades da Rússia neste sábado, 10, para denunciar a fraude eleitoral e pedir a realização de novas eleições, sob o lema "Por eleições limpas", dando continuidade ao maior movimento de protesto no país em mais de uma década.

Mais de 130 manifestantes foram detidos em todo o país, segundo o Ministério do Interior russo, a maioria deles por participar de manifestações não autorizadas pelas autoridades locais.

Do Pacífico ao Ártico, da Sibéria à parte europeia da Rússia, milhares de cidadãos deixaram o calor de seus lares para lotar praças e ruas em um gélido dia de dezembro e somar-se àquela que já é considerada a maior manifestação no país desde os anos 1990.

Os manifestantes de Moscou, convocados pelo movimento Solidariedade, denunciaram a fraude nas eleições legislativas de domingo passado e exigiram às autoridades a realização de novos pleitos parlamentares, a libertação dos presos políticos e a investigação de todas as irregularidades eleitorais.

Os congregados exigiram também a destituição do presidente da Comissão Eleitoral Central (CEC), Vladimir Churov, a que muitos responsabilizam das graves irregularidades registradas durante a jornada eleitoral, segundo as agências de notícias russas.

Em resposta aos manifestantes, o vice-presidente da CEC, Stanislav Vavilov, disse à agência de notícias "Interfax" que as acusações lançadas pelos manifestantes de Moscou não têm fundamento.

"Ontem foi assinada a ata. As eleições foram reconhecidas como válidas e não há motivo para fazer outras avaliações. Não há motivos para revisar os resultados do pleito", ressaltou Vavilov.

O partido governista Rússia Unida (RU), do primeiro-ministro Vladimir Putin e do presidente Dmitri Medvedev, conserva a maioria absoluta na Duma (Câmara dos Deputados) com 238 deputados, 12 a mais que os necessários para a maioria parlamentar (226), segundo os resultados oficiais definitivos das eleições anunciados na sexta-feira pela CEC.

O partido do Kremlin perdeu 77 cadeiras em relação às últimas eleições legislativas, por isso não terá a maioria constitucional.

Em Moscou, cerca de 50 mil pessoas, segundo os organizadores - pelo menos 25 mil, segundo a Polícia - se concentraram na praça Bolotnaya, em um ato de protesto que transcorreu sem incidentes violentos e sem intervenção das forças de segurança.

Inúmeros manifestantes lotaram as duas margens do rio Moskva, assim como a praça Bolotnaya, local pactuado com as autoridades para a manifestação, e também os acessos à praça, as ruas divisórias e todas as regiões arredores.

"Exigimos a contagem de votos", "Vamos devolver as eleições ao país" e "Rússia Unida, conheça seu lugar", diziam alguns dos cartazes levados pelos manifestantes.

Em São Petersburgo, segunda maior cidade da Rússia, cerca de 10 mil pessoas saíram às ruas para denunciar a fraude nas eleições. A Polícia deteve dez pessoas por desordem pública.

A grande jornada de protesto já tinha começado no oriente russo enquanto Moscou mal entrava na madrugada deste sábado. Quando a luz do sol chegou à parte europeia da Rússia, os protestos em algumas cidades do Extremo Oriente e da Sibéria já haviam terminado.

A Polícia prendeu 16 manifestantes na cidade de Perm, 20 na cidade de Nizhnevartovsk (Sibéria), 20 em Belgorod, 17 em Yekaterinburg, 12 em Tula, 10 em São Petersburgo e vários em Chita, Kazan, Samara e Kurgan, enquanto não houve prisões em Moscou.

Cerca de 2 mil pessoas se aglomeraram no centro de Yekaterinburg, capital dos Urais, enquanto em outra localidade deste distrito federal, Chelyabinks, o número de manifestantes chegou a mil.

Outras mil pessoas saíram às ruas de Volgogrado (antigo Stalingrado), enquanto mais de 600 protestaram em Arkhagelsk, no Extremo Norte europeu russo.

Às margens do rio Volga, em Samara, 4 mil pessoas desafiaram as autoridades em um comício não autorizado pela Prefeitura, enquanto até 3 mil pessoas ocuparam a praça central da cidade siberiana de Tomsk ao som de aplausos e gritos de "Eleições limpas".

Também em Novosibirsk, outra das cidades mais importantes da Sibéria, milhares de pessoas enfrentaram o frio de 15 graus abaixo de zero para contestar as eleições em um protesto autorizado.

Centenas de pessoas, em muitos lugares mais de 500, se congregaram nas praças e ruas de Ufa, Tula, Yaroslavl, Kurgan, Krasnodar, Kostroma, Omsk, Nizhny Novgorod, Voronezh, Tver, Petrozavodks, Kemerovo, Barnaul, Novokuznetsk e outras muitas cidades da extensa geografia russa.

 

 

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