REUTERS/Christian Veron
REUTERS/Christian Veron

Oposição toma ruas da Venezuela contra Maduro e convoca greve geral

Após suspensão de referendo revogatório, multidão toma as ruas de Caracas e outras cidades do país para pedir a saída de Maduro; líderes da MUD também prometem nova marcha até a sede do Executivo venezuelano no dia 3

O Estado de S.Paulo

26 Outubro 2016 | 16h08

CARACAS -Centenas de milhares de manifestantes saíram às ruas de Caracas e das principais cidades da Venezuela, nesta quarta-feira, 25,  para protestar contra a suspensão do referendo revogatório do mandato do presidente Nicolás Maduro. Durante o ato, coalizão opositora Mesa de Unidade Democrática (MUD)convocou uma paralisação geral para amanhã e prometeu uma nova marcha, desta vez até o Palácio de Miraflores, sede do Executivo, no dia 3. 

"Vamos notificar Maduro no dia 3 de que ele foi declarado pelo povo venezuelano em abandono de cargo. Faremos uma manifestação pacífica até Miraflores", disse o presidente da Assembleia Nacional, Henry Ramos Allup. A notificação faz parte do processo de "julgamento político" de Maduro, aprovado no começo da semana. "Teremos de suportar as emboscadas do governo. É possível que cerquem o local com grupos violentos e agentes da repressão."

Outro líder opositor, o ex-candidato à presidência Henrique Capriles, exigiu que Maduro obrigue o CNE a retomar o processo do revogatório. "Aviso ao covarde que está em Miraflores que em 3 de novembros todo o povo venezuelano irá para lá", afirmou. Lilian Tintori, mulher do líder opositor Leopoldo López, preso desde 2014,também discursou. "Temos de destituir esse ditador", falou. 

Chamada de "tomada da Venezuela",  a manifestação teve confronto com a polícia em ao menos duas cidades: Mérida e Cumaná. Em Caracas, a Polícia Nacional Bolivariana (PNB) tentou vetar parcialmente o acesso à avenida onde se concentram os manifestantes.

Líderes da oposição, como o ex-candidato presidencial Henrique Capriles e o presidente da Assembleia Nacional, Henry Ramos Allup, prometeram ir ao Palácio de Miraflores, sede do executivo, no dia 3 para pressionar Maduro a aceitar o referendo. "Nos roubaram o direito de votar", disse Capriles. "Se não pudermos votar, passamos a outra etapa."

Vestidos de branco e com bonés nas cores da bandeira venezuelana, os manifestantes saíram de sete pontos da capital venezuelana com direção à Avenida Francisco Fajardo, a principal via expressa da cidade, que liga oeste da capital ao leste. Em alguns desses pontos, a PNB ergueu barreiras para impedir a passagem dos manifestantes. 

No oeste da cidade, perto do Palácio de Miraflores, chavistas se reuniram para prestar apoio a Maduro, que convocou para esta tarde uma reunião do Conselho de Defesa do país, formado pela Justiça Eleitoral, Ministério Público, do Poder Judicial e Legislativo.

Maduro avaliou o que chamou de "golpe parlamentar" da oposição. "Lamentavelmente a Assembleia Nacional escolheu o caminho de desacatar a Constituição", disse Maduro. 

Nas ruas, o clima era de revolta.  "Maduro tem que ir embora. Chega de passividade. Temos de pressionar", disse a engenheira Kleina Campos, de 41 anos.  "Estamos na rua e aqui ficaremos até que haja uma resposta desse governo", disse o publicitário Victor Jiménez, de 63.

O protesto foi marcado para o primeiro dos três dias nos quais ocorreriam as coletas de assinatura para a segunda fase do referendo revogatório, na qual a oposição deveria obter o apoio de 20% do eleitorado. A Justiça eleitoral, no entanto, acatando o pedido de tribunais regionais de Estados chavistas, suspendeu o referendo.  / AFP, AP e REUTERS

 

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