Milhares de muçulmanos da Índia se alistam para defender santuários no Iraque

Milhares de muçulmanos na Índia se alistaram para defender os santuários sagrados do Iraque, e, caso necessário, combater militantes islâmicos sunitas em um país onde o número de mortos pelo avanço dos insurgentes é estimado em 1.300.

SRUTHI GOTTI, REUTERS

26 de junho de 2014 | 10h34

Denunciando os militantes do Estado Islâmico do Iraque e o Levante (EIIL) como terroristas, esses muçulmanos indianos preencheram formulários, completados com fotografias e fotocópias de documentos, para viajar para o Iraque.

Líderes da Anjuman E. Haideri, uma organização religiosa que lidera o esforço, disseram que eles podem ir à embaixada do Iraque em Nova Déli entregar os formulários.

Um clérigo xiita está liderando o esforço, e os voluntários querem proteger os santuários venerados pela seita localizados no Iraque, mas os líderes do grupo disseram que a causa deles não é sectária.

Na sede do grupo em uma área arborizada de Nova Déli havia cartazes dizendo “Não é xiitas x sunitas, é iraquianos x terroristas”.

“Eles não são muçulmanos. Jihad significa defender. Jihad não significa matar”, disse Syed Bilal Hussain Abidi, proeminente membro do grupo, ao mostrar em seu telefone imagens de decapitações e bombas explodindo no Iraque.

“Podemos viajar para o Iraque para formar uma corrente humana para salvar pessoas da tortura. Podemos buscar água e doar sangue e fazer qualquer coisa para salvar nossos santuários”, disse ele, cercado de formulários de voluntários.

Embora os muçulmanos sejam minoria no país, representando apenas 15 por cento dos indianos, eles são 175 milhões de pessoas - a terceira maior população muçulmana do mundo.

Ainda não está claro se os voluntários receberão vistos ou permissão para viajar para o Iraque. Autoridades da embaixada iraquiana não estavam imediatamente disponíveis para comentar.

O Ministério das Relações Exteriores da Índia disse que não permitirá que indianos vão ao Iraque por causa da situação de segurança em um país no qual 40 reféns indianos estão sendo mantidos em um local não revelado, e 46 enfermeiras indianas estão sem poder sair de hospitais em Tikrit.

Mas para Syed Bahadur Abbas Naqvi, secretário-geral do grupo, já que o governo indiano não planeja enviar forças para o Iraque, os apoiadores terão pouca escolha senão ir para lá por conta própria.

O grupo disse ter 100 mil assinaturas em toda a Índia e realizou diversas manifestações “contra o terrorismo” em Déli e outras cidades.

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