Milhares de peregrinos participam da "Via Dolorosa"

Milhares de peregrinos estrangeiros e membros da comunidade árabe cristã participaram nesta sexta-feira da procissão pelas 14 estações da "Via Dolorosa" e do Santo Sepulcro, para relembrar o caminho percorrido por Jesus Cristo antes da crucifixação. A tradicional procissão, iniciado em uma escola árabe onde esteve o tribunal do governador romano Pôncio Pilatos, percorreu lentamente as 14 estações do calvário, em meio a orações e leitura dos Evangelhos. Os fiéis foram conduzidos por monges da ordem franciscana, custódios da Terra Santa há mais de 800 anos. Nas orações e conversas do milhares de peregrinos e turistas se mesclavam a maioria dos idiomas dos países católicos, além de um número considerável da língua falada por judeus israelenses. "Para nós estar aqui é como sair do turismo, porque, geralmente, no dia a dia estamos muito distantes de tudo isso", disse à EFE um jovem judeu da cidade de Bat Yam, sul de Tel Aviv, que chegou a Jerusalém especialmente para a procissão.ItinerárioA procissão seguiu o habitual itinerário pela Segunda Estação, na igreja de Flagelação, próxima à capela do Suplício - onde foi colocada a coroa de espinhos e o manto púrpura sobre a cabeça de Cristo. A procissão transcorreu pelas estreitas ruas do mercado palestino da cidade antiga durante mais de duas horas, para conseguir percorrer, apenas, um quilômetro e meio. Estação atrás de estação os peregrinos rezaram e cantaram, recordando os passos de Cristo, enquanto uma modesta cruz de madeira, que em nada relembra as das vistosas procissões de países tradicionalmente católicos, como a Espanha, abria a procissão."Não precisamos nem de ouro e nem de prata, nossa prata é cada uma das estações e nosso ouro é a mensagem, uma mensagem de paz que saiu daqui mesmo", disse o padre Peter, um monge franciscano de origem palestina, enquanto esperava o começo da procissão. Deslocamento Segundo alguns investigadores, o percurso original da "Via Dolorosa" se deslocou por cerca de 400 metros devido à construção da cidade murada há centenas de anos. Depois de atravessar o mercado palestino, a "Via Dolorosa" foi concluída no Santo Sepulcro, onde estão as últimas cinco estações, e onde milhares de pessoas esperavam a chegada da cruz. Na entrada do templo, cujas chaves estão sob posse de uma família muçulmana há mais de 12 séculos, os peregrinos se concentraram ao redor da Pedra da Unção, um pedaço de mármore rosado onde segundo a tradição cristão, se foram feitos os últimos óleos em que Cristo foi envolvido. Ao seu lado estão o lugar da Crucifixação e a tumba vazia de Cristo, o lugar mais venerado do mundo cristão. Após a solene celebração da Sexta-Feira Santa, os atos da Semana Santa de Páscoa terão as cerimônias de água e de fogo do Sábado de Glória, a grande missa do domingo de Ressurreição e a procissão na rotunda da Basílica.

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