Matthew Abbott / The New York Times
Matthew Abbott / The New York Times

Milhares de pessoas evacuadas por incêndios na Austrália que ameaçam cortes de energia

Desde o início da temporada de incêndios, em setembro, pelo menos 24 pessoas morreram, segundo o primeiro-ministro australiano

Redação, O Estado de S. Paulo

04 de janeiro de 2020 | 14h10
Atualizado 05 de janeiro de 2020 | 00h49

O céu escureceu e choveu cinzas neste sábado, 4, no sudeste da Austrália, região devorada por incêndios violentos que expulsaram dezenas de milhares de pessoas de suas casas e que ameaçam com cortes de energia cidades como Sydney. Ao todo, estima-se que pelo menos 24 pessoas já tenham sido vítimas das chamas.

Neste sábado, foram registradas novas temperaturas acima de 40°C e ventos fortes que inflamam as centenas de incêndios florestais que devoram o país há quatro meses. A maioria deles está fora de controle.

A primeira-ministra de Nova Gales do Sul, Gladys Berejiklian, alertou que as piores hipóteses previstas para este sábado "estão sendo cumpridas".

"Esses ventos fortes e as altas temperaturas" devem continuar pela noite, afirmou o chefe dos Bombeiros do estado, Shane Fitzsimmons.

As autoridades alertaram que pode haver cortes no fornecimento de energia na maior cidade da Austrália, pois o incêndio destruiu as linhas de transmissão de energia. Por isso, pediram aos habitantes que reduzissem o consumo energético.

No sudeste do país, a região mais populosa, foi declarado estado de emergência. Na sexta-feira, 3, foi dada a ordem de evacuar mais de 100 mil pessoas de três estados.

3 mil reservistas militares

"Vimos literalmente dezenas de milhares de pessoas partirem", contou o chefe dos bombeiros Shane Fitzsimmons.

Os turistas e habitantes do sudeste do país já se foram. Há engarrafamentos nas rodovias que conectam as cidades costeiras a Sydney e outras cidades importantes.

O primeiro-ministro, Scott Morrison, convocou 3 mil reservistas militares neste sábado para uma mobilização sem precedentes.

"Permite ter mais homens na terra, mais aviões no céu, mais navios no mar", declarou Morrison, muito criticado pela maneira como está lidando com essa crise.

No entanto, o primeiro-ministro voltou a se envolver em uma polêmica depois que seu Partido Liberal divulgou um vídeo anunciando essas medidas. Várias associações acusaram o líder de usar essa tragédia para fins políticos.

De qualquer forma, Morrison vinha sendo duramente criticado pela sua postura e sobre a forma como estava lidando com a crise ambiental que recai sobre o país. Em dezembro, quando os incêndios começaram a tomar conta do país, o primeiro-ministro fez uma viagem de férias ao Havaí.

"Um campo de refugiados"

Em Batermans Bay, uma cidade turística normalmente cheia de atividades, os supermercados, lojas e pubs estão fechados. Uma calmaria estranha e preocupante reinou neste sábado na cidade, envolta na fumaça dos fogos ao redor. 

O único sinal de vida é o abrigo para evacuados, onde centenas de moradores obrigados a deixar suas casas encontraram acolhimento em tendas e caravanas, instaladas em um terreno da cidade.

Parece “um campo de refugiados”, afirmou uma moradora, que está lá com seu marido.

Ao menos 24 mortos

Desde o início da temporada de incêndios em setembro, pelo menos 24 pessoas morreram, segundo o primeiro-ministro.

Outras dezenas estão desaparecidas e mais de 2 mil casas foram reduzidas a cinzas. Foi queimada uma área equivalente ao dobro da Bélgica.

Os incêndios também foram mortais para a vida selvagem e destruíram quase todo o Parque Nacional Flinders Chase, na Ilha Kangaroo, que abriga cangurus e coalas, informaram autoridades.

Na pequena cidade de Mallacoota, a marinha australiana evacuou na sexta-feira 1.000 habitantes e turistas cercados por chamas.

O primeiro dos dois navios fretados para resgatá-los chegou perto de Melbourne nesta manhã de sábado.

Eloise Givney, 26, conseguiu escapar sob escolta policial depois de passar quatro dias sem eletricidade, telefone ou internet.

“As chamas se aproximaram até 50 metros de nós. Tivemos que nos conduzir entre elas porque era a única saída”, contou à AFP. / AFP e AP

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