Milhares de pessoas participam de funeral de manifestante

O manifestante morto com um tiro pela polícia durante os conflitos da cúpula do G-8, na semana passada foi sepultado hoje em um caixão coberto com a bandeira vermelha e amarela do Roma, seu time de futebol favorito. O enterro, realizado em Gênova, foi acompanhado por milhares de pessoas. Carlo Giuliani, de 23 anos, foi a primeira vítima fatal de um movimento de protesto contra a globalização que começou há dois anos, e o primeiro morto registrado em uma manifestação italiana em 25 anos. Seu caso emocionou a Itália. "Em sua curta vida, Carlo nos deu muita coisa", disse seu pai, Giuliano Giuliani, com voz embargada. "Em seu nome, trataremos de aumentar nossos esforços contra a violência". A pedido da família, não houve cartazes nem flores na cerimônia fúnebre, realizada no cemitério de Staglieno, nas redondezas de Gênova. Poucos presentes estavam vestidos com camisetas com o dizeres: "O carro do assassino é o CC AE 217", que era a matrícula do veículo policial que passou por cima do cadáver do jovem que havia sido abatido por um tiro dado por um policial. Entre os milhares de presentes à cerimônia fúnebre, alguns aplaudiram e outros levantaram os punhos e gritaram o nome de Giuliani quando o féretro era levado por amigos do jovem em meio à multidão. Durante a cerimônia, um amigo tocou violão e um outro leu um poema muito apreciado por Carlo. Amigos e parentes descreveram a vítima como um jovem generoso e de espírito rebelde, atormentado pelas injustiças que achava no mundo. Cerca de 500 pessoas ficaram feridas e mais de 200 foram detidas durante os conflitos do fim de semana na cúpula do G-8 (grupo dos sete países mais industrializados do mundo mais a Rússia) em Gênova.

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