SDIS 83 via AP
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Ao menos um morto e milhares de pessoas evacuadas na costa da França devido a incêndio florestal

A queimada, que afeta desde segunda-feira as imediações da cidade turística de Saint-Tropez, já deixou ao menos 27 feridos

Estelle Emonet/AFP, O Estado de S.Paulo

17 de agosto de 2021 | 07h45
Atualizado 18 de agosto de 2021 | 07h20

Uma pessoa morreu e milhares, incluindo campistas de férias, foram evacuadas após um incêndio florestal, iniciado na tarde de segunda-feira, 16, atingir as proximidades do resort de luxo em Saint-Tropez, na costa do sul da França. Esta é a primeira vítima fatal do incêndio, o maior registrado no país neste verão, em uma das principais áreas turísticas do país, anunciaram as autoridades nesta quarta-feira, 18.

Além disso, 27 pessoas ficaram feridas, a maioria por intoxicação, incluindo cinco bombeiros com lesões leves. Cerca de 750 bombeiros e petroleiros estão lutando contra o fogo em condições difíceis, com altas temperaturas e ventos fortes. 

“Milhares de pessoas foram evacuadas como medida preventiva, mas não há vítimas”, disse uma porta-voz dos bombeiros, Delphine Vienco, acrescentando que o incêndio foi “ainda muito violento”.

O sul da França é a última área da bacia do Mediterrâneo a ser atingida por incêndios florestais neste verão, um fenômeno sazonal que os cientistas advertem que se tornará cada vez mais frequente devido ao aquecimento global induzido pelo homem.

Grandes incêndios já assolaram partes da Grécia, Turquia, Espanha, Portugal, Argélia e Marrocos.

O incêndio teve início em uma parada da autoestrada a cerca de 100 quilômetros a nordeste da cidade portuária de Toulon, capital da região de Var.

Nesta terça-feira de manhã, a queimada já atingia mais de 3.500 hectares de floresta e mato, de acordo com os bombeiros. 

“É muito cedo para estimar a área queimada”, disseram os bombeiros, que continuaram a combater o fogo do ar com aviões e helicópteros e em terra.

"Uma catástrofe"

As evacuações foram realizadas principalmente nos arredores de Cavalaire e Saint-Tropez, especialmente perto das cidades de Grimaud e La Mole, disse a porta-voz.

Os bombeiros temem que o fogo se torne mais forte durante o dia devido às altas temperaturas e ao vento. “As chamas estão se espalhando a 4 km por hora, em comparação com o habitual 1 km por hora”, acrescentou um oficial de comunicações dos bombeiros no posto de comando instalado na comuna de Le Luc (Var).

“Metade da reserva natural da planície do Maures foi devastada. É uma catástrofe, porque é um dos últimos lugares onde vive a tartaruga de Hermann”, disse Concha Agero, vice-diretora do Escritório Francês de Biodiversidade, à AFP, que espera que os animais tenham conseguido escapar.

“Durante a noite conseguimos evitar que o fogo chegasse a Garde-Freinet”, uma aldeia a cerca de 20 quilômetros de Saint-Tropez.

O ministro do Interior, Gérald Darmanin, deve viajar para as áreas afetadas ainda nesta terça-feira. 

A prefeitura de Var confirmou a evacuação de vários acampamentos e pediu aos cidadãos que evitassem o congestionamento das estradas ao redor do Golfo de Saint-Tropez para que os serviços de emergência pudessem acessar a área.

Os evacuados foram alojados em instalações municipais na região. 

O sudeste quente e árido da França, que experimenta regularmente incêndios florestais no verão, tinha sido relativamente poupado neste ano.

De acordo com o banco de dados Prometheus sobre incêndios florestais na região do Mediterrâneo, a área total queimada na França nas quatro regiões afetadas foi de 2.336 hectares para 2021, contra 7.698 hectares para todo o ano de 2020.

No ano passado, um incêndio devastou 1.000 hectares em uma região turística popular a oeste de Marselha. Pelo menos 2.700 pessoas, incluindo muitos turistas, tiveram que ser evacuadas, algumas por via marítima. 

 

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