Florian Schroetter/AP
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Milhares de pessoas protestam contra a vacinação obrigatória em Viena

Marcha foi convocada pelo partido de extrema direita FPÖ e reuniu negacionistas, fundamentalistas cristãos e adeptos de teorias da conspiração

Redação, O Estado de S.Paulo

11 de dezembro de 2021 | 13h21

VIENA - Milhares de pessoas protestaram em Viena neste sábado, 11, contra as restrições impostas para combater a covid-19 e a obrigatoriedade da vacina contra a doença, que entrará em vigor em fevereiro.

A manifestação, convocada pelo partido de extrema direita FPÖ, reuniu negacionistas, adeptos de teorias da conspiração, fundamentalistas cristãos e partidários da extrema direita, que classificam a vacinação obrigatória como "ditadura".

A ideia também é defendida pelo líder do FPÖ, Herbert Kickl, que nos últimos dias garantiu através das redes sociais que seu partido não é contra as vacinas anticovid, mas contra a sua obrigatoriedade. Kickl pediu uma mobilização pacífica neste sábado "pela liberdade e contra o caos e a coerção".

A manifestação começou por volta do meio-dia (horário local, 8h no Brasil) com um ar festivo, apesar das temperaturas próximas de zero grau. Os manifestantes protestaram também contra o lockdown em vigor no país, que terminará à meia-noite deste sábado para a maioria da população, mas continuará valendo para não vacinados, que só poderão sair de casa para trabalhar, estudar ou atender necessidades básicas como comprar alimentos e remédios, caminhar e se exercitar ao ar livre.

"Ditadura", "Vacinação obrigatória = Fascismo" e "Os nazis regressaram", assim como mensagens pedindo a renúncia do governo austríaco foram alguns dos cartazes que os manifestantes exibiram durante a marcha.

Uma versão do famoso slogan da campanha de Donald Trump, Make America Great Again (Torne a América Grande Novamente), foi exibido em um cartaz que dizia "Make Austria Free Again" ("Torne a Áustria livre de novo").

O slogan feminista “Meu corpo, minha escolha”, usado em protestos em todo o mundo em defesa dos direitos reprodutivos, foi parodiado na manifestação.

Embora a concentração mantivesse um tom pacífico, a polícia realizou diversas prisões e fiscalizações para garantir a segurança. Em Viena, 1.400 policiais foram destacados neste sábado para prevenir incidentes e garantir a segurança do protesto.

O governo austríaco, formado por conservadores e ecologistas, foi o primeiro da União Europeia a impor a vacinação obrigatória a toda a população, com multas de até 3.600 euros para quem não se imunizar contra o coronavírus a partir de fevereiro.

Os maiores de 14 anos que residam na Áustria -- exceto mulheres grávidas ou pessoas com problemas médicos -- deverão ser vacinados. No país, 68% da população está totalmente imunizada contra a covid-19. /EFE

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