Jamil Chade/Estadão
Jamil Chade/Estadão

Milhares de refugiados cruzam fronteira entre Hungria e Áustria

Governo austríaco indica que até 10 mil pessoas já entraram no país; estação de trem em Budapeste viveu o caos 

Jamil Chade, correspondente, O Estado de S. Paulo

06 Setembro 2015 | 06h16

BUDAPESTE – Depois de dias sem poder embarcar para Viena e para as cidades alemãs, centenas de refugiados sírios foram autorizados a subir nos trens em Budapeste nesta manhã de domingo, 6,, causando correria e caos na estação de Keleti, na capital húngara. 

A reportagem do Estado embarcou num desses trens, com direção à fronteira com a Austria. No total, o governo austríaco estima que 10 mil pessoas passaram por suas fronteiras em 48 horas. “Vamos finalmente chegar ao nosso destino final”, comemorou Yousseff, de 29 anos e que deixou Idlib no mês passado. 

Alguns, porém, ainda desconfiavam das autoridades húngaras. “Vocês tem certeza de que não vão nos desviar para algum campo de refugiados?”, perguntou Mohamed, de Damasco.

Pelos corredores da estação, famílias corriam de um lado ao outro, em busca de acesso aos trens, enquanto um muro de policiais impedia a chegada das pessoas que não mostrassem suas passagens. “Por favor, meus filhos estão cansados de esperar. Deixe-nos ir”, pedia uma senhora aos policiais, que fingiam não ouvir. 

Desde a madrugada entre sexta-feira e sábado, a fronteira entre a Hungria e a Austria se transformou em um elo de passagem entre o drama e uma espécie de esperança para milhares de pessoas. Depois de meses em um percurso entre a Síria e a Europa, muitos ficaram presos em Budapeste, impedidos de tomar trens em direção à Áustria e Alemanha. 

No centro de uma das capitais em voga na Europa, um campo de refugiados passou a ser formado no subsolo da estação de trem. Pelo continente, as imagens eram o símbolo de um fracasso entre as lideranças políticas. A solução foi a de deixar que os refugiados seguissem caminho, enquanto Viena e Berlim acertaram um acordo para abrir suas fronteiras e auxiliar o trânsito das pessoas.

Hoje pela manhã, centenas de pessoas ainda se encontravam no local, aguardando para tomar um trem ou esperando ajuda financeira para comprar bilhetes.

Do outro lado da fronteira, mobilizando recursos e pessoal, os governos passaram a atender os refugiados que, ao chegar do lado austríaco, eram colocados em ônibus em direção à Viena e, de lá, para a Alemanha. 

Mas a abertura das fronteiras não significa que a crise acabou. Em Budapeste, centenas de refugiados ainda aguardavam uma solução para sua situação. O governo húngaro, que colocou na sexta-feira centenas de ônibus para fazer o trajeto até a Áustria quando se deu conta de que os refugiados iriam caminhando, avisou que não vai oferecer mais o serviço de transporte. 

No fim de semana, o governo local acusou a UE e Berlim de serem os “responsáveis” pelo drama. “Foi Berlim que convidou essas pessoas a virem até a Europa”, disse o chefe de gabinete do governo de Viktor Orban.

Segundo a ONU, outra indicação de que a crise vai perdurar é o número de pessoas ainda saindo da Grécia e tomando a estrada em direção à Viena e Alemanha. No caminho, terão uma vez mais de passar pela Hungria. 

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