Milhares de sírios pedem devolução das Colinas de Golã

Milhares de pessoas participaram de uma manifestação na cidade síria de Quneitra nesta segunda-feira contra a ocupação israelense no país. "A Síria irá recuperar cada centímetro das Colinas de Golã" disse o oficial do partido Baath, Mohammed Saeed Bkheitan, que participou dos protestos. A Síria tornou-se independente da França em 17 de abril de 1946. O aniversário desta data é o único dia em que o governo sírio permite que a população entre na cidade de Quneitra, destruída quando os israelenses invadiram a região e devolvida à Síria como parte de um acordo depois da guerra, em 1973. A Síria mantém a cidade, localizada a 65 quilômetros a sudoeste de Damasco, como um testamento da ocupação de Golã.O partido Baath organizou uma frota de ônibus e microônibus para trazer as pessoas para Quneitra nesta segunda-feira para uma manifestação pró-libertação. Alguns dos manifestantes levavam bandeiras sírias e fotos do presidente Bashar Assad. "Ocupantes sionistas, saiam agora", dizia um dos cartazes, em referência à presença do Exército de Israel e de colonos que vivem nas Colinas de Golã desde que a área foi anexada durante a Guerra árabe-israelense de 1967.Israel anexou o platô em 1981, mas quase todos os habitantes árabes da região rejeitaram a cidadania israelense em lealdade à Síria. Cerca de 17 mil sírios, a maioria da religião Drusa, um ramo do Islã, vivem em Golã atualmente junto com 15 mil colonos israelense. A agência Associated Press estima que cerca de 100 mil pessoas participaram do ato e que a maioria veio da capital Damasco e de outras cidades como Homs e Hama no norte do país.Negociações de pazOs Estados Unidos interromperam as negociações entre Israel e Síria em 2002. O governo sírio queria que os israelenses se retirassem de Golã até o lado oeste do Mar da Galiléia, o que foi recusado por Israel até que as questões de segurança e relações internacionais fossem estabelecidas.Damasco pediu repetidas vezes que as negociações de paz fossem retomadas nos últimos dois anos, mas Israel recusou-se, afirmando que, primeiro, o país deve controlar os grupos radicais palestinos que abriga.

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