Milhares de sunitas fogem de Banias, na Síria

Milhares de muçulmanos sunitas fugiram da cidade costeira de Banias, na Síria, neste sábado (4), um dia depois de circularam relatos de que dezenas de pessoas, incluindo crianças, haviam sido mortas por atiradores pró-governo na região, relataram ativistas. Enquanto isso, o presidente sírio, Bashar Assad, fez sua segunda aparição pública em uma semana na capital Damasco.

AE, Agência Estado

04 de maio de 2013 | 16h05

Além disso, autoridades israelenses confirmaram que a força aérea do país realizou um ataque aéreo contra a Síria na sexta-feira (3), dizendo ter como alvo um carregamento de mísseis avançados destinados ao grupo militante libanês Hezbollah, aliado do regime de Assad.

A violência na região costeira da Síria ressalta a natureza sectária do conflito, que já dura dois anos, tendo causado a morte de milhares de pessoas e enviado mais de 1 milhão de refugiados a países vizinhos.

Segundo a organização não governamental Observatório Sírio para os Direitos Humanos, cerca de 4 mil pessoas fugiam das predominantemente sunitas áreas no sul de Banias, em meio a temores de que atiradores pró-governo "podem cometer um massacre".

Houve relatos conflitantes sobre o número de mortos em Banias na sexta-feira. O observatório disse que pelo menos 62 pessoas, incluindo 14 crianças, foram mortas em Ras al-Nabeh, um bairro em Banias, mas que o número pode subir, porque muitas pessoas ainda estão desaparecidas. Os Comitês de Coordenação Locais, outro grupo ativista, disseram que 102 pessoas foram mortas.

Segundo o observatório, as forças de segurança verificavam documentos de identidade das pessoas e lhes pediam para voltar a Banias para a situação parecer normal. Ainda de acordo com o observatório, as pessoas que fugiam iam para as cidades de Tartus e Jableh.

Moradores de Banias relataram à Associated Press por telefone que o mercado central foi quase todo fechado no sábado em meio a temores de mais violência. Eles falaram sob condição de anonimato por medo de represálias do governo.

O êxodo também se devia a denúncias de ativistas na sexta-feira de que soldados do regime e atiradores das áreas vizinhas de Alawite haviam batido, esfaqueado e baleado pelo menos 50 pessoas no vilarejo sunita de Bayda, perto de Banias.

Também neste sábado a rede de TV estatal da Síria informou que Assad, que raramente é visto em público, visitou um campus de Damasco e estava andando no meio de centenas de pessoas. Segundo a reportagem, Assad inaugurou uma estátua dedicada a "mártires" de universidades sírias que morreram na guerra civil. As informações são da Associated.

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