Milhares de tunisianos fogem para a Itália

Roma afirma que mais de 5 mil imigrantes ilegais desembarcaram na Ilha de Lampedusa nos últimos 5 dias; autoridades do país pedem ajuda

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

14 de fevereiro de 2011 | 00h00

A crise política no norte da África literalmente desembarca no sul da Europa e pega governos desprevenidos e assustados. Nos últimos cinco dias, mais de 5 mil imigrantes ilegais atravessaram o Mar Mediterrâneo, deixando a Tunísia na direção da Ilha de Lampedusa, na Itália.

Em reação, Roma decretou "estado de emergência humanitária", pediu socorro à União Europeia e propôs usar forças de segurança dos países europeus para patrulhar as costas da Tunísia, numa tentativa de frear o fluxo imigratório.

"O Magreb está explodindo", disse Roberto Maroni, ministro do Interior da Itália. "Há um terremoto político e institucional que ameaça ter efeitos devastadores para toda a Europa." Segundo ele, o número de imigrantes que desembarcou na Ilha de Lampedusa, ao sul da Sicília, em cinco dias é o equivalente a todo o volume de 2010.

Para diplomatas europeus consultados pelo Estado em Bruxelas, o fluxo de imigração é apenas uma demonstração da situação crítica que a Europa pode viver se a onda de revoluções nos países do Norte da África não levar a uma transição na direção de democracia e melhora social.

No Egito, por exemplo, grupos de refugiados iraquianos foram obrigados a buscar outro país para se proteger da violência. Por enquanto, a grande parte dos imigrantes tem chegado à Europa em pequenos barcos de pesca, saídos da costa da Tunísia. A travessia até Lampedusa é de 110 quilômetros. Entre a noite de sábado e a madrugada de ontem, a ilha recebeu mais de mil imigrantes, em 16 barcos. Pelo menos um deles morreu e outro desapareceu depois que uma das embarcações virou.

Em sua maioria, os tunisianos declararam que fugiam da pobreza e da turbulência causada pela queda do presidente Zine al-Abidine Ben Ali. Segundo a declaração de vários imigrantes, a indefinição paralisou a economia e quem depende de bicos já está sem renda há semanas.

Diante da multidão de imigrantes ilegais, Roma anunciou a reabertura de um centro de detenção que há anos estava fechado - 1,9 mil foram levados para lá ontem. Centenas ainda foram colocados em um campo de futebol na cidade. Impedidos de sair livremente, eles são levados um a um até a Sicília para que tenham seus documentos verificados.

Com cerca de 6 mil residentes, Lampedusa viu sua população quase dobrar nos últimos dias.

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