Milhares defendem imigrantes em protestos nos EUA

Centenas de milhares de manifestantes tomaram as ruas de várias cidades americanas nesta segunda-feira em apoio a uma nova lei de imigração que beneficie os estimados 11 milhões de imigrantes que vivem ilegalmente no país. O congresso americano discute nesta semana se o texto facilitará a aquisição da cidadania ou irá criminalizar os ilegais. Os eventos desta segunda-feira ganharam o nome de "campanha pela dignidade dos imigrantes", e devem reunir ainda mais pessoas do que o visto no domingo, quando 350 mil manifestantes ganharam as ruas na cidade de Dallas. Diante de um Congresso dividido, os manifestantes querem que a nova legislação facilite a legalização dos imigrantes. E, de fato, boa parte dos parlamentares apóiam o plano de emprego temporário proposto pelo presidente George W. Bush, que permitiria a presença dos imigrantes devidamente empregados. No entanto, uma outra facção dos legisladores pedem uma lei que criminalize os ilegais, alegando que os imigrantes roubam as vagas que deveriam ser preenchidas por americanos. Durante o protesto desta segunda-feira em Atlanta, o pedreiro mexicano Carlos Carrera parecia reagir a esse raciocínio. Ele segurava um cartaz com os dizeres: "Não somos criminosos. Nos dêem uma chance para uma vida melhor." Carrera, que há 20 anos vive nos Estados Unidos, explicou seu protesto: "Nós gostaríamos que eles nos permitissem trabalhar com dignidade. Queremos progredir junto com este país." Na Carolina do Norte, centenas de latinos se preparam para faltar ao trabalho ou boicotar as compras nesta segunda-feira para demonstrar o impacto financeiro da comunidade latina nos negócios. Em Charlotte, alguns empregados planejam faltar ao trabalho, alguns com o apoio de seus chefes latinos. Em Dallas, ativistas também pedem aos imigrantes que mostrem seu poder aquisitivo não comprando nada durante o boicote econômico. No domingo, uma marcha reuniu entre 350 mil e 500 mil pessoas na cidade. Estão previstas manifestações nesta segunda-feira nas cidades de Houston, El Paso e Austin. Centenas de pessoas reuniram-se em Lexington, no Estado do Kentucky. Manifestantes levavam bandeiras americanas e cartazes com os dizeres: "Fomos todos imigrantes um dia" e "Não somos terroristas". Os protestos desta segunda-feira sucederam um dia de manifestações em dez Estados. Em Salt Lake City, 20 mil pessoas foram às ruas no domingo, número bem maior que o esperado pelos organizadores. Em San Diego 50 mil participaram da marcha. Em Birmingham, no Alabama, manifestantes marcharam nas mesmas ruas onde ativistas de direitos civis entraram em conflito com a polícia nos anos 60 e marcharam até um parque onde a estátua de Martin Luther King Jr permanece como um lembrete da luta pelos direitos civis. Mas os protestos também atraíram oposicionistas, como o veterano da Marinha Jerry Owens, de 59 anos. "Acho que é muito triste porque estas pessoas estão dizendo que é certo ser um imigrante ilegal", disse Owens. "Os americanos estão dizendo ´venham aqui. Mas legalmente´. E acho que isso é um grande problema".

Agencia Estado,

10 Abril 2006 | 15h39

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