Milhares exigem renúncia do governo na Tailândia

Protesto em Bangcoc transcorre em paz sob supervisão de 40 mil membros das forças de segurança

BBC

14 de março de 2010 | 08h42

Multidão se reúnirá nas ruas da capital Tailandesa até segunda-feira. Foto: Wason Wanichakorn/AP

 

BANGCOC - Milhares de pessoas vestindo camisetas vermelhas foram às ruas da capital da Tailândia, Bangcoc, neste domingo, 12, para pedir novas eleições no país e manifestar apoio ao primeiro-ministro deposto em 2006, Thaksin Shinawatra.

Os "camisas-vermelhas" também determinaram que o prazo para o atual governo, que acusam de ser "ilegítimo" e apoiado pelos militares, renunciar é ao meio-dia (2 horas em Brasília) da segunda-feira, 15, e dizem estar dispostos a espalhar os protestos por todo o país. O primeiro-ministro, Abhisit Vejjajiva, já avisou, no entanto, que não pretende renunciar.

Apesar do tom de ameaça dos manifestantes, de acordo com a correspondente da BBC na capital tailandesa, Rachel Harvey, a passeata que reuniriam cerca de 100 mil pessoas transcorre de forma pacífica.

As tropas de choque do governo, que contam com cerca de 40 mil homens, acompanham a multidão mas estão mantendo a distância, sem tentar intervir nos protestos.

REDUTO DE THAKSIN

Muitos dos manifestantes em Bangcoc saíram do norte do país, o principal reduto político de Thaksin na Tailândia.

Um dos líderes da oposição, Veera Musikapong, discursou em um palanque no centro da capital. "Camisas-vermelhas de todo o país apelam para o governo devolver o poder ao povo e dissolver a casa imediatamente. Vamos nos manter aqui e esperar por uma resposta durante 24 horas", afirmou.

As manifestações foram convocadas pelo grupo Frente Unida pela Democracia contra a Ditadura (UDD, na sigla em tailandês). Para eles, o governo de Abhisit chegou ao poder de forma ilegítima e com o apoio dos militares e da elite de Bangcoc.

INSTABILIDADE POLÍTICA

O ambiente político na Tailândia é instável desde 2006, quando manifestantes de camisas amarelas, contrários a Thaksin, começaram a exigir a denúncia do primeiro-ministro, acusado de corrupção.

Um golpe de Estado acabou depondo Thaksin, mas aliados dele voltaram ao poder em 2008 e ocuparam o gabinete do primeiro-ministro por três meses e os dois principais aeroportos de Bangcoc por uma semana.

Atualmente, Thaksin vive em auto-exilo em Dubai, depois de ter sido condenado à revelia a dois anos de prisão por abuso de poder. Os seus simpatizantes afirmam que o julgamento foi político.

 

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