Milhares fogem por temor de rompimento de barragem na China

Número oficial de mortos sobe para 29 mil; equipes de resgate tiveram de interromper trabalhos em cidade

Agências internacionais,

17 de maio de 2008 | 13h14

Milhares de pessoas fugiram às pressas de áreas afetadas pelo terremoto na China que estão sob ameaça de inundação. Imagens registradas na tarde deste sábado, 17, mostravam vítimas e equipes de socorro correndo para regiões mais altas de maneira caótica. O nível da água no lago estava aumentando rapidamente em Beichuan e a água "pode romper a barreira a qualquer momento", anunciou a agência oficial de notícias Xinhua. O lago foi formado depois que tremores secundários bloquearam um rio.   Veja também: Ouça o relato da jornalista Cláudia Trevisan  Mapa da destruição na China  Entenda como acontecem os terremotos  Especial: antes de depois da tragédia Vídeo com imagens do terremoto  Vídeo com imagens do resgate    O número oficial de mortos subiu para 28.881, mas o governo calcula que chegará a 50 mil. O desastre deixou cerca de 4,8 milhões de desabrigados, que estão amontoados em barracas ou tendas improvisadas, sem acesso a condições sanitárias básicas, o que eleva o risco de infecções. "Combater epidemias é a maior e mais urgente tarefa que temos agora", disse o vice-ministro da Agricultura, Wei Chao'an.   Deslizamentos de terra provocados pelo tremor de segunda-feira bloquearam o Rio Qingzhu e criaram duas represas, que registravam rápida elevação no nível da água. Se transbordarem, podem inundar uma área de 40 quilômetros de extensão na área de Beichuan. O governo determinou que 2 mil pessoas abandonassem uma vila próxima ao local. Na cidade de Beichuan, que foi quase totalmente destruída pelo tremor, o rumor de que outra represa havia se rompido provocou pânico na população e nas equipes de resgate. Segundo relato de um jornalista da BBC que estava na cidade, a operação de retirada de uma pessoa dos escombros foi abandonada no meio, enquanto todos corriam para lugares seguros. Mesmo depois que autoridades desmentiram o rumor, muitos moradores continuaram no alto das montanhas.   Um canal de TV a cabo de Hong Kong disse que cerca de 1,2 milhão de pessoas também estavam sendo retiradas de Qingchuan, 90 km a nordeste de Beichuan, com a elevação das águas ameaçando romper barreiras de lagos.   Neste sábado, 33 pessoas foram resgatadas com vida dos escombros em Beichuan, segundo a agência estatal de notícias Xinhua. Um homem de 52 anos foi resgatado depois de ficar soterrado por 117 horas. Um turista alemão também foi salvo após 114 horas. Equipes de resgate da Coréia do Sul, Cingapura e Rússia chegaram à província de Sichuan para ajudar especialistas do Japão e de Taiwan que já estão no local. O número de corpos sem vida sendo retirados dos escombros é grande. O governo está recorrendo a covas coletivas para evitar que doenças se espalhem.   Os mortos começaram a ser enterrados em valas comuns e a população foi orientada a utilizar máscaras cirúrgicas para reduzir o risco de contaminação. Segundo o governo, 34 mil médicos e funcionários do setor de saúde trabalham na região atingida pelo tremor.   "Apesar de o momento para se ter melhores chances de resgate - as primeiras 72 horas após o terremoto - já ter passado, salvar vidas continua sendo a prioridade maior do nosso trabalho", disse o presidente da China, Hu Jintao, que visitou nesta sexta-feira a província atingida. O premiê Wen Jiabao, disse que o terremoto foi o mais arrasador desde a fundação da Republica Popular da China, em 1949.   (Com Cláudia Trevisan, de O Estado de S. Paulo, Reuters e BBC Brasil)

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