Milhares lembram os 20 anos do massacre em Pequim

Milhares de manifestantes foram ao centro de Hong Kong hoje para marcar o 20º aniversário do que ficou conhecido por massacre da Praça da Paz Celestial (Tiananmen), em Pequim. Foi uma das poucas manifestações em solo chinês para lembrar os protestos pró-democracia de 1989, que deixaram pelo menos centenas de mortos. As estatísticas variam de 400 a dez mil pessoas mortas, dependendo da fonte.

AE-AP, Agencia Estado

31 de maio de 2009 | 13h43

Um dos estudantes líderes de Tian''anmen, Xiong Yan, que hoje vive nos Estados Unidos, foi saudado ao aparecer em frente à multidão. "Sinto como se tivesse voltado para casa", disse Yan. Muitos usavam camisetas em branco e preto, em sinal de luto, e gritavam palavras de ordem como "As pessoas não se esquecerão" e "Reverta-se o veredicto de 4 de junho", uma referência ao dia do massacre.

A porta-voz da polícia de Hong Kong, Josephine Cheng, disse que pelo menos 4.700 pessoas foram à manifestação. Dezenas de milhares devem participar, na quinta-feira, da vigília com velas acesas para lembrar as vítimas daquele 4 de junho.

Os protestos estudantis de 1989 ainda são considerados um motim "contrarrevolucionário" pelo governo da China e permanece um tabu. O evento é sempre lembrado em Hong Kong, que vive sob um sistema político separado, que permite a liberdade de expressão.

A discussão pública sobre o massacre tem sido mais acalorada neste ano, com a mídia divulgando reportagens especiais sobre o tema. Uma pesquisa da Universidade de Hong Kong divulgada na quarta-feira passada mostrou que 69% dos cidadãos da ilha acreditam que o governo chinês deveria parar de condenar os protestos. "4 de junho foi um dia em que um grupo de pessoas sacrificou suas vidas pela democracia. Precisamos lembrar seus esforços", disse Steve Chan, um participante da manifestação deste domingo.

O que ficou conhecido por Protesto na Praça da Paz Celestial consistiu em uma série de manifestações lideradas por estudantes na República Popular da China, que ocorreram entre os dias 15 de abril e 4 de junho de 1989. O protesto recebeu o nome do lugar em que o Exército Popular de Libertação suprimiu de forma violenta a mobilização: a praça Tiananmen, em Pequim, capital do país.

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