Milhares marcham contra Chávez

Protesto foi o quarto consecutivo contra a reforma constitucional impulsionada pelo presidente venezuelano

Afp, Efe e Reuters, O Estadao de S.Paulo

10 de novembro de 2007 | 00h00

Milhares de pessoas participaram ontem de uma manifestação em Caracas contra a reforma constitucional impulsionada pelo presidente Hugo Chávez. A marcha, organizada pela oposição, aconteceu de maneira pacífica. Manifestantes carregando bandeiras de repúdio à reforma e ao presidente caminharam durante algumas horas acompanhados de um caminhão com caixas de som até chegarem à avenida México, onde se juntaram a estudantes que discursavam em um palanque montado próximo à Procuradoria do país. Os manifestantes também protestaram contra a violência registrada no país na última semana, quando protestos estudantis terminaram de maneira violenta. "Repudiamos a reforma abertamente, mas também somos contra a violência", afirmou o dirigente estudantil Freddy Guevara. Os estudantes estão protestando desde a semana passada contra a reforma, que deverá ser levada a referendo no dia 2. Na quarta-feira, oito ficaram feridos na Universidade Central da Venezuela (UCV) depois de serem atacados por um grupo pró-Chávez. Na quinta-feira, confrontos com a polícia deixaram feridos outros 14 alunos da Universidade Metropolitana (Unimet). Anteontem, outras cinco pessoas ficaram feridas em uma passeata que terminou em tiroteio.O projeto de reforma que está motivando os protestos prevê mudanças em 69 dos 350 artigos da Constituição venezuelana - entre eles uma modificação que determina o fim do limite para reeleições.BATE-BOCAO rei Juan Carlos da Espanha, em um gesto sem precedentes, deixou ontem o plenário da 17ª Cúpula Ibero-americana, em Santiago, no Chile, em protesto às críticas feitas por Chávez ao ex-chefe de governo espanhol José María Aznar. O atual chefe de governo da Espanha, José Luis Rodríguez Zapatero, já havia se queixado com Chávez por seus ataques a Aznar. O presidente venezuelano respondeu afirmando que tinha direito de se expressar. Nesse momento, o rei espanhol apontou o dedo para Chávez e disse: "Por que você não cala a boca?", e deixou o recinto. Antes desse último episódio, Hugo Chávez tinha criticado Aznar, chamando-o mais uma vez de "fascista" e acusando-o de ter apoiado o golpe na Venezuela em abril de 2002.

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