Milhares marcham em apoio a candidato da oposição na Venezuela

Milhares de pessoas marcharam neste sábado pelas ruas de Caracas para apoiar o candidato presidencial Manuel Rosales, que prometeu desfazer o que chamou de "doenças" do governo do presidente Hugo Chávez. Foi a maior demonstração pública de força da oposição venezuelana, a caminho das eleições de dezembro. Autoridades venezuelanas haviam prometido colocar aproximadamente 2.500 oficiais nas ruas para conter possíveis atos de violência durante o protesto, na medida em que os manifestantes atravessavam setores da capital que são pró-Chavez. A polícia metropolitana estimou a multidão em sete mil, mas repórteres que acompanhavam as cenas acreditam que o número passou de dez mil. Não houve registro de confrontos.Para se dedicar à campanha, Rosales se afastou temporariamente do cargo de governador do estado de Zulia, no oeste do país, que concentra grande parte da indústria do petróleo. Diante de simpatizantes, nas principais avenidas da capital, Rosales acusou o atual governo de gerenciar mal a riqueza petrolífera do país e ignorar crimes. E sugeriu que a amizade íntima de Chávez com o líder cubano Fidel Castro poderia levar a Venezuela para a mesma direção que a ilha comunista.``Eles dizem que o povo venezuelano governa. É uma mentira", disse Rosales. "Nós temos uma administração que está governando de Cuba. Temos uma Venezuela com mais de 80 mil cubanos".Segundo o aspirante à Presidência, cubanos controlam instituições, ministérios e, inclusive, as forças armadas. "E isso vai acabar", afirmou.Rosales criticou os recordes de criminalidade na gestão Chávez, dizendo que a quantidade de assassinatos e seqüestros cresceu muito desde que o presidente assumiu a cadeira, em 1999. `` Nos oito anos de governo, foram cometidos mais de 90 mil crimes e assassinatos e a maioria dos autores ficaram impunes. O seqüestro aumentou em mais de 426%. Na Venezuela, não manda o povo, manda a delinqüência", disse o candidato opositor. Recentes pesquisas apontam que a segurança pública é uma das principais preocupações entre os venezuelanos. Bandeiras, azul e músicaCarregando bandeiras e tambores, os manifestantes participaram do ato, em que prevaleceu a cor azul da campanha de Rolsales e o ritmo "reggaetón", com mensagens políticas. "Sim, vamos ganhar", disse uma senhora, visivelmente emocionada, pela quantidade de gente."Marcho por futuro diferente, por uma educação melhor, eu sou professora", disse Julia Peña, de 50 años, que não protestava desde 11 de abril de 2002 - dia do golpe de Estado contra Chávez.

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