Milhares marcham no Egito para pedir saída de militares do poder

Revoltados com a repressão, egípcios tomam a Praça Tahrir para denunciar a violência de governo interino

CAIRO, O Estado de S.Paulo

24 de dezembro de 2011 | 03h06

Dezenas de milhares de pessoas marcharam ontem na Praça Tahrir, centro do Cairo, e em outras cidades do Egito, para exigir que os militares entreguem o podem e denunciar a violência contra os manifestantes. Os egípcios ficaram especialmente ultrajados com as imagens de uma mulher, com a blusa arrancada, sendo espancada e chutada por tropas do governo interino.

"Qualquer um que viu a imagem e viu a dor da mulher viria para a Praça Tahrir", disse Omar Adel, de 27 anos, que participava do protesto. "Quem fez isso deveria ser julgado. Não podemos suportar tal humilhação e abuso." Alguns manifestantes exigem que o Exército realize as eleições presidenciais até 25 de janeiro, o primeiro aniversário do início do levante que levou à deposição do presidente Hosni Mubarak.

Pelo menos cem pessoas foram mortas em confrontos e na violência sectária desde que uma junta militar assumiu o poder. Na semana passada, 17 manifestantes foram mortos em choques com as forças de segurança, que dispersaram à força um protesto que já durava três semanas para exigir que os militares entreguem o poder a um governo civil.

A manifestação de ontem, batizada de "Defendendo a revolução e reavendo a honra", teve o apoio de mais de uma dúzia de grupos, entre eles partidos formados após o levante popular.

Um clérigo não identificado, que fez o sermão de sexta-feira na Praça Tahrir, acusou os militares pelas divisões e pediu aos generais que entreguem o poder, como única solução para acabar com a ditadura. Adotando um tom mais conciliador em seu sermão, o xeque Nasr Farid Wasil, da Mesquita Al-Azhar, a principal do Cairo, disse que o Islam pede a paz entre as forças de segurança e o povo.

A Irmandade Muçulmana, movimento islâmico cujo partido venceu as primeiras fases das eleições parlamentares, distanciou-se dos protestos. A Irmandade apoia o prazo estipulado pelo Exército, final de junho, para entregar o poder a um presidente eleito e diz que o processo político deve ser resolvido pelo voto.

O Exército disse que se arrependeu da violência usada na semana passada na Praça Tahrir e pediu desculpas pela mulher espancada, afirmando que o caso está sendo investigado. A Anistia Internacional pediu ontem à autoridades egípcias que não usem a força contra os manifestantes. / AP e REUTERS

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