Bogdan Cristel/Reuters
Bogdan Cristel/Reuters

Milhares pedem a renúncia do governo na Romênia

Padrão de vida da população está cada vez pior devido às consequências da crise econômica

Agência Estado

24 de janeiro de 2012 | 17h59

BUCARESTE - Milhares de romenos foram às ruas nesta terça-feira protestar contra o governo, furiosos com a crise econômica que erodiu o padrão de vida da população. Até agora são 12 dias de protestos, que acontecem na capital Bucareste e em outras cidades, como Iasi, e representam as maiores manifestações que o país latino do Leste Europeu enfrenta desde 1989, quando o regime comunista foi derrubado.

 

O primeiro-ministro Emil Boc clamou por unidade nacional para superar os desafios. Em seus primeiros comentários desde o começo dos protestos, o presidente Traian Basescu acusou figuras da oposição e a imprensa de embarcarem no que ele chamou de "alegria da destruição" ao ignorarem as realizações do governo.

 

Cerca de cinco mil pessoas protestaram contra o governo em Iasi, pedindo por eleições antecipadas. Milhares também se acumularam nos arredores da sede do governo em Bucareste para se manifestar contra duras medidas de austeridade e marcharam para o escritório da estação de televisão pública, à qual eles acusam de ter um viés pró-governo. Depois, os manifestantes marcharam em direção ao centro da cidade, para a Universidade Square, que foi o ponto central dos protestos desde o levante anticomunista contra o ditador comunista Nicolae Ceausescu.

 

"Eles querem a renúncia do presidente, a renúncia do governo e do Parlamento, quer dizer, eles querem que a Romênia fique sem governo", disse Basescu.

 

A Romênia assinou um acordo de empréstimo de 20 bilhões de euros (US$ 26 bilhões) com o Fundo Monetário Internacional (FMI), União Europeia (UE) e Banco Mundial, em 2009, para arcar com o pagamento de salários e pensões, quando a economia encolheu mais de 7%.

 

Em 2010, o governo elevou o imposto sobre vendas de 19% para 24% e cortou o salário de servidores públicos em um quarto a fim de reduzir o déficit do Orçamento. Os romenos também estão indignados com o nepotismo, com a corrupção generalizada e com uma percepção de que o governo não está interessado nos problemas das pessoas comuns nesta nação de 22 milhões de habitantes.

 

Um oficial do exército da Romênia, de 21 anos, tornou-se símbolo dos protestos na segunda-feira. O pedido de Alexandru Gheorghe para que a dignidade do país seja resgatada atraiu ampla atenção porque é ilegal a manifestação pública de membros do exército. "Não posso mais suportar o modo como somos insultados" pelo atual governo, disse ele em declarações transmitidas na Antena 3 TV.

 

"Vi idosos que apanharam (nos protestos) e disse a mim mesmo que nós, os oficiais, que podemos morrer amanhã em uma missão no Afeganistão, precisamos ter a coragem de lutar e dizer a verdade aqui em nossos país", acrescentou. A Romênia tem cerca de 1.700 tropas servindo no Afeganistão como parte das forças lideradas pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). O Ministério da Defesa disse que investiga quais ações tomar contra Gheorghe.

 

Boc nomeou Cristian Diaconescu como o novo ministro das Relações Exteriores para substituir Teodor Baconschi, que foi demitido na segunda-feira por fazer comentários com insultos contra os manifestantes. Diaconescu, um parlamentar e partidário do presidente Traian Basescu, já ocupou a pasta em 2009. As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

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