EFE/Hedayatullah Amid
EFE/Hedayatullah Amid

Milhares pedem fim da violência contra minoria xiita no Afeganistão

Eles protestavam pela decapitação de sete xiitas dessa minoria étnica pelo Estado Islâmico, carregando os corpos das vítimas até o palácio presidencial, em um ato que deixou pelo menos seis feridos

O Estado de S. Paulo

11 de novembro de 2015 | 18h44

CABUL - Milhares de pessoas foram às ruas de Cabul, capital do Afeganistão, nesta quarta-feira, 11, para protestar pela decapitação de sete xiitas da minoria étnica haraza pelo Estado Islâmico (EI), carregando os corpos das vítimas até o palácio presidencial, em um ato que deixou pelo menos seis feridos.

A magnitude da manifestação, integrada principalmente por hazaras e a maior deste tipo nos últimos anos no país, obrigou o presidente Ashraf Ghani a fazer um discurso à nação sobre o caso, no qual pediu que "reações que causem o caos" sejam evitadas.

As sete vítimas, sequestradas desde agosto, foram executadas no fim de semana por supostos membros do EI em meio a combates do grupo com os taleban na Província de Zabul, no sul do país.

Os manifestantes percorreram 11 quilômetros nas ruas da capital afegã carregando os corpos das vítimas, entre elas duas mulheres e uma menor de 9 anos, entre os gritos de "morte ao Taleban, morte ao Daesh (acrônimo do EI em árabe) e morte ao governo incompetente".

"Queremos segurança e tranquilidade para nossa gente. O governo fracassou em prevenir as brutalidades dos grupos terroristas durante o último ano", explicou à agência EFE um dos manifestantes, Qurban Ali Rahmati, de 28 anos.

Desde o início do ano, a comunidade hazara do Afeganistão, um país predominantemente sunita e no qual os xiitas representam 9% da população, foi alvo de diversos sequestros e assassinatos sectários, muitos atribuídos a supostos integrantes do EI.

"Por que devemos ser decapitados pelo crime de sermos harazas ou xiitas? Por que os harazas estão sendo assassinados?", denunciou à Efe Sayd Nabi Samim, outro manifestante, ao exigir o direito de sua comunidade viver no Afeganistão.

Já Muhammad Javad Sultani alertou que a continuação desse tipo de crime provocará a queda do governo de Ghani, já que muitos manifestantes pediram sua renúncia junto com a do chefe de governo afegão, Abdullah Abdullah.

Um grande número de mulheres participou dos protestos e algumas levaram os caixões das vítimas, algo muito pouco comum em um país islâmico como o Afeganistão.

Após várias horas percorrendo as ruas de Cabul, a passeata foi encerrada em frente ao palácio presidencial. Alguns manifestantes levantaram os corpos das vítimas, o que fez com que as forças de segurança dessem tiros para o alto para dispersar as massas. Um dos organizadores do ato, Abdul Baqi, afirmou à EFE que seis pessoas ficaram feridas no protesto.

Em seu discurso, Ghani prometeu que os culpados serão levados à Justiça e manifestou que, com crimes de "discriminação étnica e tribal", os "inimigos pretendem destruir a unidade e a harmonia do Afeganistão".

"Devemos lembrar que só podemos vingar o sangue de nossos mártires e levar os culpados à Justiça quando estamos unidos. Nosso triunfo está na união", acrescentou. / EFE

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