(Photo by OSCAR DEL POZO / AFP)
(Photo by OSCAR DEL POZO / AFP)

Milhares protestam contra enterro de restos mortais de Franco em Madri

Restos mortais de ditador serão retirados de mausoléu onde estão enterradas vítimas da guerra civil, mas manifestantes não querem que ossada fique na Catedral Católica de Almudena, no centro de Madri

O Estado de S.Paulo

25 de outubro de 2018 | 21h21

Milhares de manifestantes se reuniram do lado de fora da Catedral Católica de Almudena, no centro de Madri, na Espanhanesta quinta-feira, 25,  para protestar contra os planos de enterrar os restos mortais do ex-ditador Francisco Franco no local. 

Familiares de dezenas de milhares de seus oponentes que foram mortos ou aprisionados durante seus quase quarenta anos de governo são contra seu enterro em um local tão emblemático. 

Parlamentares espanhóis votaram em setembro uma lei para remover os restos de Franco de um mausoléu onde estão também dezenas de milhares de vítimas da guerra civil espanhola, que durou entre 1936 e 1939 e que o levou ao poder.

Ainda não se sabe para onde seus restos mortais serão transferidos. Mas a família Franco possui uma cripta na catedral e a filha de Franco foi enterrada ali.

Pessoas gritavam as palavras de ordem “Criminoso, fora da catedral” e carregavam placas com os dizeres “Madri: Sem Franco” e “Justiça!”

“Eu o jogaria numa vala”, disse o manifestante Gorgonio Ferrero, de 74 anos, do lado de fora da catedral. “Mas não o enterraria aqui”. 

Os planos para transferir os restos mortais de Franco dividiram a sociedade espanhola. Muitos de seus descendentes já expressaram oposição à sua exumação. 

A Fundação Franscisco Franco, uma organização sem fins lucrativos que promove a memória do ex-ditador, disse que seus restos mortais deveriam receber um enterro cristão na catedral de Madri. 

O governo do primeiro-ministro Pedro Sánchez espera que a exumação ajude a solucionar as discordâncias do período de seu governo que ainda assombram o país. Cerca de 500 mil combatentes e civis morreram na guerra civil espanhola. 

Fim das honras a Franco

Em setembro, o Parlamento  da Espanha aprovou por 172 votos a favor, 2 contra e 164 abstenções, um decreto proposto pelo primeiro-ministro, o socialista Pedro Sánchez, para a exumação dos restos mortais do ditador Francisco Franco, homenageado em um mausoléu no Vale dos Caídos. 

O objetivo de Sánchez é retirar as honras atribuídas ao ditador, em respeito à memória das vítimas da ditadura espanhola, uma das mais longas da Europa no século 20. O decreto foi aprovado porque os deputados do Partido Popular (PP) e do Ciudadanos, ambos conservadores, se abstiveram.

Depois de sua morte, em 1975, uma lei prevendo anistia às autoridades franquistas foi aprovada, em 1977. Uma nova Constituição democrática foi promulgada, em 1978, e uma tentativa de golpe de Estado, em 1981, acabou fracassando.

Por outro lado, muitos segmentos da opinião pública ligados a partidos de centro-esquerda e de esquerda ainda travam uma luta pelo reconhecimento dos crimes cometidos pelo Estado na ditadura fascista. Famílias de vítimas, por exemplo, acusam as autoridades espanholas de omissão na identificação de valas comuns nas quais os republicanos que lutaram contra Franco teriam sido enterrados.

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