EFE/ALEXEI DRUZHININ / SPUTNIK / KREMLIN POOL
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Milhares protestam contra incêndio que matou 64 em shopping na Rússia

Presidente russo, Vladimir Putin, visitou a cidade e atribuiu as mortes à 'negligência criminosa e ao desleixo'

O Estado de S.Paulo

27 Março 2018 | 12h13

KEMEROVO, RÚSSIA - Desperados e raivosos, milhares de russos tomaram nesta terça-feira, 27, a principal praça da cidade siberiana de Kemerovo, onde ao menos 64 pessoas morreram no domingo em um incêndio que atingiu um shopping center

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O presidente russo, Vladimir Putin, visitou a cidade e atribuiu as mortes à “negligência criminosa e ao desleixo”. Ele depositou flores no local em homenagem às vítimas, mas não participou da vigília, que durou pelo menos seis horas. 

O fogo atingiu o shopping Winter Cherry no primeiro dia das férias escolares, o que fez com que 41 das vítimas fosse de crianças. 

Testemunhas disseram que os alarmes de incêndio do prédio não dispararam e muitos pais e menores ficaram presos no local, principalmente em salas de cinema que estavam trancadas. 

De acordo com o Ministro de Situações Emergenciais, Vladimir Puchkov, ao menos 58 corpos já foram resgatados e bonbeiros ainda procuram outros seis. 

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Revoltados, os manifestantes protestaram por horas na sede do governo regional de Kemerovo e acusaram as autoridades locais de esconder a real dimensão da tragédia. Um dos manifestantes, Igor Vostrikov, disse que, para as famílias, o número de mortos é muito maior que o divulgado. “Não queremos sangue. As crianças já estão mortas”, disse ele à TV local. “Queremos Justiça. Elas morreram porque vocês as trancaram no cinema.”

O vice-governador Serguei Tsivilyov, que não visitou o local do acidente, disse que o protesto é uma manobra midiática. O governador, Aman Tuleyev atribuiu os protestos a “opositores”. Os manifestantes pediram a renúncia da cúpula do governo regional.

Em uma tentativa de amenizar a tensão, Putin visitou Kemerovo nesta manhã. “Como isso pode ter acontecido?”, questionou o presidente a autoridades locais que cuidam da resposta ao incêndio. Segundo o chefe das investigações, Alexander Bastrykin, o alarme de incêndio estava sem funcionar há duas semanas e a segurança do shopping não tinha explicações razoáveis para isso.

Ao menos cinco mandados de prisão foram emitidos, mas as identidades dos suspeitos não foram divulgadas. 

Putin prometeu uma investigação transparente. “Haverá respostas para aqueles que as procuram”, declarou. /AP

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