Milhares protestam contra plano econômico na Grécia

Milhares de cidadãos gregos tomaram as ruas de Tessalônica, segunda maior cidade da Grécia, neste sábado para protestar contra o duro programa nacional de austeridade econômica, antes de um discurso do primeiro-ministro, George Papandreou, sobre a economia, previsto para as 14h (de Brasília).

AE-AP, Agência Estado

11 de setembro de 2010 | 15h43

Cerca de 11 mil pessoas juntaram-se em três marchas separadas, enquanto 4.500 policiais foram colocados de prontidão para garantir a paz durante as manifestações.

Em maio, três pessoas morreram em um banco incendiado por jovens encapuzados que se infiltraram em um grande protesto em Atenas - numa ação que chocou os gregos e desencadeou o movimento de hoje.

Cerca de 600 proprietários de caminhões marcharam na manhã deste sábado para protestar contra a planejada desregulamentação de sua profissão.

Separadamente, um homem idoso atirou um sapato no primeiro-ministro grego, que tinha acabado de inaugurar uma feira comercial anual. O calçado aterrissou longe do alvo e o atirador foi detido, mas foi liberado horas mais tarde visto que Papandreou não quis registrar nenhuma acusação.

Um esboço do discurso do primeiro-ministro disponibilizado hoje não trouxe nenhuma surpresa. Papandreou prometerá flexibilizar profissões restritas - como a dos motoristas de táxis e caminhões, tabeliães públicos, farmacêuticos -, desregulamentar o mercado de energia, estipular metas de privatização e simplificar os procedimentos para obtenção de licenças para negócios até o final deste ano.

O governo de centro-esquerda de Papandreou diz que sua árdua tarefa para reduzir o déficit orçamentário de 13,6% do PIB em 2009 para 8,1% do PIB neste ano está em vigor, e se comprometeu a manter o ritmo da execução das propostas.

"Muitos meses serão necessários antes que nós possamos mostrar de forma convincente que o que nós fizemos não foi uma coisa passageira e que nós não vamos cair aos pedaços no primeiro sinal de dificuldades", afirmou o ministro das Finanças grego, George Papaconstantinou.

A Grécia evitou a falência em maio, quando os países europeus e o Fundo Monetário Internacional (FMI) aprovaram a concessão de empréstimos de emergência no valor de ? 110 bilhões até 2012 ao país, com a condição de que o governo grego promovesse cortes de gastos profundos.

O governo grego anunciou ontem planos para reformar a companhia estatal ferroviária, que possui dívidas de ? 10,7 bilhões (US$ 13,62 bilhões), por meio de corte de empregos e serviços ferroviários.

Papaconstantinou afirmou que as reformas serão estendidas a outras empresas estatais. "Como uma sociedade, nós teremos que mostrar que nós estendemos o problema", declarou o ministro.

Mas, em meio a uma recessão profunda e um alto desemprego, os sindicatos gregos estão furiosos com os profundos cortes de gastos, os aumentos dos impostos para os consumidores e temem novos cortes de gastos.

Sinalizando um novo ciclo de instabilidade, os trabalhadores ferroviários estão planejando realizar manifestações contra as reduções de salários e alguns sindicalistas ameaçaram queimar os trens operados por empresas privadas.

As receitas do Estado estão aumentando a uma taxa menor do que o projetado, e o governo disse que poderá ter de aumentar os impostos sobre as vendas de uma ampla gama de produtos, ou aumentar os preços do óleo de calefação.

Inspetores da União Europeia e do FMI avaliarão na próxima semana o progresso das medidas de austeridades exigidas pelo pacote de ajuda, bem como os esforços do governo grego para reduzir seu déficit orçamentário.

O país deverá receber ? 9 bilhões nos próximos dias dentro da segunda parcela dos empréstimos previstos. As informações são da Associated Press.

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